30.10.13

E aqueles filmes das instruções nos aviões...


Desde que ando de avião (para aí desde os cinco anos, se contarmos com o avião para os putos brincarem que creio eu que ainda existe no Parque do Alvito) que sempre me fascinaram as instruções de segurança a bordo.

Das primeiras vezes achava aquilo muito interessante e conjecturava sobre possíveis cenários do género “Então e se o avião cair de lado no mar e as saídas não estiverem à esquerda e à direito, mas sim em baixo e em cima?” (sempre fui uma criança com tendências apocalípticas). Prestava atenção ao manuseamento de cintos, coletes, máscaras, mangas insufláveis e afins, sempre com aquela secreta esperança de os poder vir a utilizar, sem saber que isso possivelmente era capaz de não ser boa ideia.

Mais tarde, mais maduro e mais alto, a par de lutar em voos low costs para poder ficar na fila junto à saída de emergência do meio porque a distância entre filas é maior, o foco da minha atenção virou-se para os performers, vulgo assistentes de bordo, durante a demonstração de procedimentos de segurança. É curioso verificar os diferentes graus de mecanização de um exercício que lhes é trivial, já que alguns fazem aquilo em modo zombie, outros naquela espécie de ritual plástico de professor de vídeos de aeróbica, com sorriso falso e há quem tenha ali naqueles minutos uma certa nuance de arte de palco, com toques de dramatismo na hora de colocar a máscara de oxigénio antes de salvar a criança.

Hoje em dia estou demasiado ocupado e demasiado rotinado para me preocupar com mais do que com os meus dispositivos electrónicos e o seu modo de voo e de tentar adivinhar se estarei rodeado de gente civilizada ou de matéria prima para próximos posts.

Ainda assim, noto que nos últimos anos as companhias aéreas têm investido nos vídeos de demonstração, como forma de tentar captar a atenção a um público que não está nem aí. Surgem cenas criativas, surgem cenas assim a armar ao malucas, surgem elfos, hobbits e anões e surgem até gajos que apesar de não serem um vídeo, mandam cenário nomicrofone.
Por cá a TAP também fez uma cena “engraçadinha” num estilo próximo que envolve o público no vídeo, até funciona para o comum cidadão, mostrando os takes com as falhas e tudo. Não é a loucura, é uma espécie de bitoque que não compromete mas também não deslumbra, mas pronto, diria que cumpre.

E depois, há isto.




Mostrem-me um destes num voo e juro que me lanço a deslizar de joelhos pelo corredor, para acabar com um sorriso de palco e os braços abertos, pronto a receber o vosso aplauso.

4 comentários:

  1. Comparado com o video que a Tap tinha antes, onde as personagens estavam algures entre o assustador e o demoniaco, o novo (http://www.youtube.com/watch?v=YfP-KJsX8y8), pareceu-me genial.
    Apesar dos prémios para o melhor video de segurança, este da Virgin é 10 -0! Melhor só mesmo a recordação do avião do Alvito :)

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    1. O problema é quando criatividade e maluqueira (ou pobreza de recursos) se fundem num bolo que raramente sabe ao que se pretende.

      A par do avião, também lá avia um eléctrico no Alvito, onde treinei o meu futuro passo de mitra a andar na penda.

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  2. (Aviso: comentário extremamente estúpido que não tem nada a ver com o post) Quando falaste do avião do Alvito lembrei-me perfeitamente da primeira e única vez que entrei no avião do Alvito. Estava um cagalhão gigantesco lá dentro. A partir desse dia, sempre que passava de carro na segunda circular com os meus pais, olhava para aquele bar que era um avião e pensava "deve ter um cagalhão gigantesco lá dentro." Era só isto, bom dia e obrigada.

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    1. Não duvido, havia muita cena estranha no parque do Alvito, mas não deixa de ser uma memória de infância (isso e perguntar ao meu pai "porque é que estão tantos senhores sozinhos a dormir no carro em Monsanto?" até ver um dia a cabeça de uma senhora a surgir do colo de um senhor a "dormir" num carro).

      Quanto ao outro avião, tenho uma história engraçada que não envolve actividades ilegais nem armadilhar o carro do dono. Qualquer dia conto-a.

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