30.10.13

À espera do verde para os peões

Paro à esquina e guardo a corrida para o sítio certo, outro que não o tejadilho de um carro. Passam depressa, já é noite mas primeiro que tudo já é hora de ponta, o acumular de horas no dia traduz-se no pé que se afunda no acelerador.
A equação não bate certo com o resultado final que é o regresso a casa. Cara crispada a passar, outro rosto fechado no carro ao lado, será aquilo um sorriso ou um esgar de sofrimento a olhar para o verde que não tarda nada fica laranja? Ou será o resultado final que não bate certo porque o regresso a casa não é o que se quer, mas sim o que se pode?

Cai o laranja e eles dividem-se entre os que não se importam de esperar e aqueles para quem esperar não é opção, seguindo-se uma última aceleração. Caras felizes com sinal amarelo, menos ainda.
Cai o vermelho, mas não para todos. Há sempre um dois que preferem passar e esperar no semáforo a seguir, porque não há tempo a perder tirando todo aquele que se perde sem dar por isso.

Finalmente o verde para os peões, que me faz sorrir sem que saiba bem porquê, talvez seja porque sem carro tenho mais tempo para conduzir o meu sorriso. O miúdo no banco de trás do carro à minha frente também se ri, não sei se para mim se para o boneco que tem na mão.

Ao volante, a mãe não se ri, não pestaneja, não mexe um músculo. Olhar fixo no semáforo à espera do sinal verde. Ele há-de chegar e tudo fará sentido, pelo menos até ao próximo cruzamento.

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