17.10.13

13,5 adultos, 3 bebés, 2 gatos e uma mousse de manga mais tarde


Fiz ontem parte de um evento que podia ter sido épico. Um jantar volante onde vários adultos conseguiram conversar, dizer parvoíces e entreter três crianças que queriam transformar os gatos em peluches sem recorrer ao uso de telemóveis, tablets, internet ou televisão.

Não foi propositado e o comité do Guinness World Records admitiu até que duas chamadas recebidas na fase inicial (convivas que desconheciam a morada exacta do repasto) e três SMS fosse enviadas sem penalização. Simplesmente aconteceu e houve até gente a deixar passa chamadas em claro, para não quebrar o fio à meada.

Os temas foram vários, alguns deles geraram controvérsia e podiam dar posts – “Será que os bebés são a nova droga legal?”, “A Internet é o pior sítio para ir buscar informação realmente relevante?” ou “Não és nada capaz de fazer esta rua a correr todo nu, depois da meia noite”. No entanto, eu comecei por dizer que “podia ter sido épico”.

Não foi?

Infelizmente, duas razões impediram que esta noite fosse hoje capa dos principais jornais, logo ao lado daquela cena do Orçamento de Estado. Primeiro, o facto de ninguém ter tirado fotografias do evento, nem postado as mesmas em qualquer tipo de rede social faz com que ninguém acredite que ele tenha acontecido. “Deve ter havido um jantar desses, deves. Foi num bunker sem rede? Foram assaltados quando aquilo começou? Estava tudo drogado?”.
É crescente a dificuldade de comprovar qualquer coisa que não seja validada com fotos nos dias que correm, ao ponto de ainda outro dia me ter morrido um parente e o meu chefe só me ter deixado ir ao funeral quando uma tia minha me taggou numa foto do caixão que postou no Facebook.

Mas o que lixou mesmo tudo foi não termos conseguido a validação do Guinness. O recorde actual para a categoria “grupo que convive, com mix de adultos, crianças e animais, sem recurso a tecnologia e/ou redes sociais” está em 9 adultos, 2 bebés e um urso panda, alcançado numa cidade chinesa e nada me tira da ideia que aquilo foi um evento de propaganda comunista encapotada. E não conseguimos o recorde, por causa do 0,5, uma adolescente já em idade adulta que escondeu um iPad debaixo da mesa e foi vista a recorrer ao mesmo por um membro do júri que apanhou do chão uma chamuça extra picante que estava a ser disputada por um gato e uma das crianças, enquanto o grupo apostava num vencedor.

O erro foi nosso, devíamos tê-la amarrado num quarto, já se sabe que é preciso um exorcismo para afastar alguém naquela idade do seu dispositivo de social connection. Ainda tentámos entrar no Guinness com o maior bidão de mousse de manga alguma vez feito mas, quando fomos a ver, um dos outro bebés já tinha mergulhado lá dentro e comido boa parte, pelo que não foi possível comprovar o feito. Ainda assim, a criança levou a devida reprimenda por não ter usado talheres.

1 comentário:

  1. De acordo. É que já enjoa estar num convivio e não poder escapar às fotos para o facebook, ou aos constantes telefonemas, às conversas por sms ou outros.

    R.

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