26.9.13

Vida – 1 Belenenses – 0 Uma derrota que faz todo o sentido


É raro falar aqui de futebol, o que não implica que não seja adepto e daqueles que sofrem pelo seu clube. E, para quem é adepto do Belenenses, sofrer é algo que se incorpora naturalmente na relação com a bola.

Sofremos porque a glória passada do clube só a espaços tem micro reflexos no presente e não há vislumbre que isso se venha a alterar.
Sofremos porque somos um clube de Lisboa, onde o que interessa é Benfica e Sporting e o Belém é visto como algo entre a condescendência e uma opção secundária para quem gosta de “clubes simpáticos”. A propósito de segundos clubes quis o destino que, para além do Belenenses só tenha um carinho especial pelo Atlético, outro emblema lisboeta de glórias antigas e tudo isso por lá ter jogado vários anos.
Sofremos porque, mais recentemente, a alguns períodos de euforia se têm sucedido períodos negros ao nível de resultados e de rumo para o clube.

Mas hoje, ao saber que o actual treinador, o holandês-quase-português Mitchell Van der Gaag de 41 anos, abandona o Belenenses por causa de um problema cardíaco que, no último fim de semana em pleno banco no estádio do Restelo lhe podia ter custado a vida, não é sofrimento aquilo que se sente, mas alegria por esta derrota do clube.

Derrota porque se perde um treinador promissor que o ano passado ajudou o clube a uma época espectacular no regresso à Primeira Liga mas, nem por um instante essa tristeza abafa o importante da questão – a vida vale infinitamente mais que o futebol.

E ainda bem que assim é, porque a história e o desporto já têm episódios suficientes de quem perdeu a vida por razões semelhantes, sem nunca lhe ter sido dada a oportunidade de escolher.

1 comentário:

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