4.9.13

O vendedor de ideias


Faz parte do meu trabalho “vender ideias” e é uma coisa que me dá um misto de gozo e sensações de alergia. Não se trata bem de vender negócios/projectos, embora quem acompanhe o Lago dos Tubarões (Sic Radical), possa ter uma perspectiva de todo um conjunto de variáveis que existem neste tipo de coisas, aplicadas nesse caso à vertente negocial.

O valor da ideia conta, a personalidade de quem a vende conta, a forma como a ideia é vendida conta, o entendimento da ideia por parte de quem a vai (ou não) comprar conta, o timing conta e, para quem acredite nisso, a sorte (quem não acredite que lhe chame conjuntura) conta.

E ainda há o bónus supremo, que tem a ver com uma metáfora que gosto de usar: vender uma ideia é como contar uma anedota, podem existir mil gajos que considerem a anedota hilariante, se o tipo que queres que se ria não a percebe, estás lixado.

Isto é válido para vender a sinopse de um livro, a base de um argumento de um filme, vender mostarda ou, se for preciso, uma ideia para fazer mulheres sorrirem, se essa for a essência de uma dada marca.

Podia falar-vos agora do processo factual para se tentar chegar a algo, debater técnicas, fazer alusões irónicas a erros de processo. Que ter ideias no vazio é diferente de ter ideias num circuito pré-definido, que pensar out-of-the-box é, hoje em dia, um cliché tão batido como "gourmet", "vintage", "crise", "venha viver uma experiência" e por aí em diante.

Mas o meu objectivo hoje não é esse. É, pura e simplesmente, vender-vos uma ideia, a ideia do vendedor de ideias.

1 comentário:

Se vais dizer alguma coisa, escreve, não fiques para aí a olhar.