19.9.13

O melhor livro está nas costas dos outros

Nos últimos dias tive a oportunidade de comprovar, em duas ou três ocasiões, um método de leitura que se devia ensinar nas escolas para também se aprender mais sobre as pessoas - não há nada melhor que estar ao pé de alguém que desconhece em absoluto que conhecemos uma terceira pessoa e ouvi-lo a falar dessa mesma pessoa.

Do ponto de vista sociológico é uma análise das mais límpidas que há - a pessoa não tem o filtro e o constrangimento social que fazem da "opinião sincera" uma coisa bastante dúbia quando os envolvidos estão presentes e muitas vezes os "eu um dia gostava de lhe dizer" surgem nesse tipo de situação.

Obviamente, às vezes a coisa também não vale um chavo, nem sequer sociologicamente, pois trata-se apenas de maledicência, conversa de galifão (ou garrafão) ou conversa de encher. Mas, quando ouvimos o que as pessoas realmente pensam sobre outras pessoas, isso faz-nos pensar que estamos sempre um bocadinho mais longe da frontalidade do que aquilo que pregamos.

O que até pode ser bom, porque nem toda a gente convive bem com a frontalidade pura e dura, porque é aí que se revelam normalmente as coisas que mais magoam e que não gostamos de ouvir sobre as nossas imperfeições, mas é maioritariamente mau, porque é uma protecção falsa contra a realidade que está lá fora e a hipocrisia ou o medo de se dizer o que realmente se pensa (com a devida ponderação na forma como se diz) são os ingredientes principais da tribo dos cara de pau e de alguns artistas de fachada que por vezes nos rodeiam pessoal e profissionalmente.

Mas, fora isso, gostava de aproveitar a oportunidade para vos dizer que vocês são todos espectaculares e, sem dúvida alguma, pessoas de forte formação moral e carácter.

3 comentários:

  1. Nas costas dos outros vemos as nossas.

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  2. E vocemecê não soube telefonar à pessoa-tema e colocá-la a ouvir?

    E a sua frontalidade, até onde vai?

    O problema da frontalidade é quando é usada como desculpa para ser grosseiro e vil. A frontalidade dá trabalho, muito trabalho, e requer delicadeza na mesma medida que a arte do insulto até.



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