26.9.13

O email é o refúgio dos fracos


Em tempos, num contexto profissional, este foi o título de uma comunicação às massas a que assisti. A argumentação foi simples, directa e concisa:
Havia uma tendência para saltar a comunicação directa e usar o email para tratar assuntos que deviam ser tratados cara a cara ou, no limite, de forma imediata.
Registavam-se cada vez mais casos do infame “passar a bomba”, o típico email enviado a queimar horários de trabalho ou fora de horas, para deixar a bola do outro lado e limpar responsabilidades. Consequentemente, isto originava a atitude “não te rales, não te entales”, que passava por pura e simplesmente ignorar e quase jurar que o email bomba nunca tinha existido.
Surgia a típica chainletter involuntária, ou seja, assuntos que iam formando uma bola de neve, que iam sendo sempre tratados via email até serem uma colagem confusa de argumentos em que os dedos ficavam dormentes de tanto scroll à procura do fio da meada.
O bate boca por detrás do muro – A distância do email cria um distanciamento que favorece o envenenamento gradual da comunicação e aumenta exponencialmente falhas no entendimento entre equipas, projectos e gestão de pessoas.

Aquilo não era para continuar. Emails deviam ser facilitadores, mas não substitutos do enfrentar de problemas e da resolução de situações face a face, especialmente numa empresa transversal em que toda a genta, a determinada altura, podia ser encontrada no mesmo espaço.

A grande ironia – esta comunicação seguiu por email.

A grande verdade – O email, a sms, a mensagem no Facebook ou noutras redes, são cada vez mais ferramentas comuns. Isto é natural numa época de comunicações digitais mas a dispersão dos meios, associada a uma capacidade comunicação escrita menos cuidada (escrever muito não significa comunicar bem) e ao crescimento de um distanciamento que se baseia na proximidade (estamos à distância de um clique mas distantes fisicamente) traduzem-se numa certa desculpabilização e um refúgio numa solução menor, ainda que prática. E, pouco a pouco, vamos enviando emails para resolver assuntos que mereciam outra atenção e, por vezes, outro respeito, achando que tal é perfeitamente natural.

Contra mim falo, já que a escrita é para mim um meio privilegiado (e confortável) para comunicar em qualquer situação. No entanto, prefiro ir por outros caminhos, mesmo que por vezes isso cause algum desconforto, se isso ajudar a não levar demasiado à letra o conceito de que cada homem é uma ilha.

1 comentário:

  1. Ás vezes mandar o mail é mesmo só para garantir que fica por escrito, não vá alguém dizer que não sabia ou que não percebeu.

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Se vais dizer alguma coisa, escreve, não fiques para aí a olhar.