23.9.13

Maratonabilidade e bom senso


Prólogo



10.30 Domingo – Chego a casa encharcado em suor, nem o facto de ter equipamento dry-fit disfarça. O boné é uma pista de sal seco, bebo quase um litro de água apesar de me ter hidratado constantemente durante os 26kms. Olho-me ao espelho e estou mais moreno, não há danos a reportar e só se nota um certo desalento. Porquê?



Levantei-me antes das sete e comecei a correr antes das oito, sabia que ia estar calor e os treinos reduzidos em duas semanas de férias também iam fazer aumentar a factura. Mas, a 15 dias de uma maratona era preciso um exame geral para ver qual o espírito de abordagem à prova. Nestas coisas compito apenas comigo, mas não é por isso que deixo de ser um adversário exigente.



Apesar do muito que corri, ironicamente a coisa não correu tão bem como previsto e o calor não ajudou. Vai haver reforço na dose de sacrifício.





As horas e o bom senso





Confirmei hoje que a Maratona de Lisboa, dia 6 de Outubro, tem início marcado para as 10 da manhã em Cascais, o que é basicamente uma estupidez.



Ok, concedo, para a maior parte das pessoas correr uma maratona só por si já pode ser considerado uma estupidez. Acontece que, para um estúpido como eu, a hora a que uma maratona começa é importante, porque vá-se lá saber porquê está relacionada com a hora a que se acaba a mesma. E para mim isso significa algures entre as 13.30 e as 14.30, o que é pouco recomendável em qualquer lugar, muito menos num país em que a temperatura média prevista para esse dia oscila entre 18 e 22º.



A temperatura ideal para uma prova do género não ultrapassa os 13/14º e a última que corri em Madrid (entre 5 e 9º) provou-me que é melhor correr com frio do que com calor. Uma semana depois, em Madrid estavam cerca de 20º e toda a gente me disse que se a maratona tivesse sido sob essa temperatura teria sido um suplício. Mais ainda.



O bom senso ditaria que as 9 horas seriam um horário mais conveniente para juntar logística e realidade. A partida é em Cascais, as redes de transporte estão todas a funcionar há pelo menos duas horas e garantia-se que pelo menos metade da prova não teria lugar no pico da temperatura. Parece que o bom senso não se inscreveu nesta primeira edição.



A mudança de organização, de percurso e de data (antigamente realizava-se em Dezembro) obrigou com certeza a muito planeamento e alterações. Pena que, pelos vistos, o bem estar de quem corre não tenha feito parte das preocupações.



Epílogo



Dadas as condições vou correr a prova, mas sem qualquer outra preocupação que não seja acabar. Esqueçam-se objectivos de melhoria e recordes pessoais. A vista junto ao rio é bonita, mas o desgaste e o banho de alcatrão e calor que a acompanham conferem outro tipo de entretenimento que me preocupa um bocadinho mais. Especialmente na parte que vai de Santa Apolónia até à Expo, no pico da fragilidade (entre os 34-39kms) de quem corre uma maratona e no tédio da parte do percurso em que só existem fábricas, contentores e apoio do público quase nulo.



Salva-se o facto do concerto dos Xutos acabar às 12.30. A essa altura ainda devo estar a caminho de Alcântara e duvido que o som se propague da Expo até aí.

13 comentários:

  1. Sedo uma super newbie nisto das corridas, pessoas que correm maratonas sao uma especie de herois. Muita sorte e pouco calor! (no mesmo dia estarei a correr uma mini em Bruxelas que sera a minha humilde estreia. Quando estiver a deitar bofes pela boca vou pensar que ha quem esteja em muito maior esforco naquele exato momento, pode ser que ajude na motivacao)

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    1. Não interessa se corres uma mini ou uma maxi, desde que te sintas bem a correr é o que interessa (e este sentir bem pode, por estranho que pareça, incluir estar com os bofes de fora).

      E agradeço a motivação telepática, toda a ajuda vai ser pouca para arrastar a carcaça até à meta :)

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    2. É exatamente isso que ainda me espanta porque nunca pensei que fosse possível ser feliz a deitar bofes pela boca. E afinal descobri que é.

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  2. Tem que se arranjar aí um grupinho giro e simpático de apoiantes para a "zona de tédio" :-)

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    1. Acho que já negociei acompanhamento em bicicleta e um amigo que arranca fresquinho do terreiro do paço para me ir insultando em jeito de motivação para a parte final (aquela cena de gajos se motivarem uns aos outros chamando nomes).

      De resto, uma grua também seria bem vinda...

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    2. Não pensei bem nessas duas possibilidades! Um amigo que nos insulte (seja lá que categoria de amigo for essa) ou uma grua, não são giros nem simpáticos.

      Mas servem...?

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    3. A verdade é que depois dos 32kms, tudo ganha um sentido diferente ;)

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  3. Para não te sentires só sobre a estupidez, o meu irmão concorda contigo. Mas ele só corre a mini.
    As preocupações da organização para estas mudanças com a maratona foi a pensar nos atletas...as belas paisagens que irão apreciar!
    Lá estarei a apoiar os corajosos...se alguém passar com um belo sorriso na cara, concerteza será o Mak.

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    1. Já fiz essa mini e já fiz essa meia. Para além de começarem mais tarde 10.30, depois da ponte Vasco da Gama, a parte dos acessos até à Expo é entediante e boa para a sauna, quando está calor.

      Agradeço todo e qualquer apoio, para todo e qualquer corredor, mas te garanto quanto mais perto esse apoio estiver da Expo menos provável é eu estar a sorrir. Ainda assim, espero ter forças para o fazer depois de cortar a meta :)

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  4. bom pelo menos n vais ficar 2 horas parado no meio da ponte vasco da gama à espera de poderes brincar as corridas.

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    1. Da perspectiva do corredor, essa espera é sempre uma seca, é o problema das pontes, nomeadamente a Vasco da Gama, que é demasiado extensa para incorporar uma mini e logisticamente obriga a um esforço grande para transportar a malta.

      Em termos de meia-maratona, nunca percebi porque essa prova (ou outra) não explora a possibilidade de fazer a ponte por completo.

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    2. realmente fazer por completo fazia mais sentido e ate devia ser mais fresco. sendo assim vou levar um baralho de cartas para esperar. vou fazer a primeira meia...

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    3. Já não faço essa há 2/3 anos (o percurso depois da ponte chateava-me), mas nos últimos tempos para quem corre a meia pelo menos houve a melhoria de permitir que partam à frente da malta da mini, numa zona delimitada até à partida.


      Sem menosprezo por quem faz a mini, há muita gente que vai pelo passeio e é complicado passar os primeiros kms a fazer slalom por entre caminhantes.

      Leva cartas e leva água, que o primeiro abastecimento é só depois da ponte e entre seca à espera e secura...

      Boa sorte e boa estreia :)

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