5.9.13

Mak vai ao cliente


Possuo uma posição estratégica que me permite evitar duas coisas que não gosto particularmente: falar ao telefone e lidar directamente com o cliente final.



Mas os deuses gostam de brincar com os nossos destinos como se fossem folhas ao vento e as metáforas idiotas dessem brilho a qualquer texto. Quando o vento parou, a folha à minha frente dizia – “Surgiu um imprevisto, vais tu apresentar a cena”.



Não se trata de um problema de expressão, não se trata da incapacidade em transmitir ideias. Trata-se de um gajo que gosta de ironizar à bruta ir de férias daqui a cerca de um dia e pedirem-lhe para servir de algo entre entertainer e homem do leme de algo que depois não terei que ser eu a desenvolver. E, pelo meio, lidar com “o cliente”, essa entidade que é uma mistura entre Deus menor e Tenha Dó maior.



Poderei não voltar a mesma pessoa ou, pior ainda, poderei não voltar. Mas, aconteça o que acontecer, parafraseando alguém a quem referi o assunto “vai ser épico”.

Resta saber se épico tipo Chernobyl, épico tipo tigre do Siegfried & Roy a comer metade do Siegfried ou do Roy durante um espectáculo ou só épico trágico, no sentido “Uau, ficas óptimo como panda amestrado, vais passar a ir mais vezes”.



Seja como for, Mak vai ao cliente e a tempestade perfeita deve dar origem a uma bonança espectacular, ao nível de mais uma metáfora lamentável para fechar um texto que lhe faz jus.



Update: Sobrevivi e só tive medo na parte em que no fim perguntaram se podiam fazer festas. Felizmente falavam de acções de marketing e não da minha pessoa. No entanto, continua o grande segredo místico das reuniões: nunca nada fica decidido nem verdadeiramente encaminhado porque, ao que se fica a saber, a pessoa que realmente tem poder de decidir não esteve presente. Não é apenas a virtude que está no meio, o engonhanço está mesmo ao lado.
 

11 comentários:

  1. As quase desgraças dos outros têm sempre mais piada que as nossas :-) Boa sorte!

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    1. Isto não foi uma desgraça, foi tipo milagre de fátima, mas comigo a girar de forma incandescente.

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  2. As mais sinceras condolências.

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  3. Por aqui os clientes são carentes da nossa presença até para a arte de espirrar, e gostam de ter a equipa de criativos em peso, não vá o peso de muitos, motivar a brainstormings mais inspiradores. Amanhã tenho pequeno-almoço às 07h30 com clientes, porque os clientes aqui tomam pequeno-almoço connosco, não vá dar-se o caso de nos acender a lâmpada da genialidade entre as papas de aveia e o café. Aqui, o cliente passa pelo estúdio só para dizer olá, mas fica sempre para um café, e isto quando não há donuts e olha, calhou de ser hora de lanche de meio da manhã. Aqui os clientes convidam-nos para as festas corporativas, afinal somos os criativos, temos que estar presentes. É esta a vida de um criativo na África do Sul... acho que acabamos por gostar da dependência que os nossos clientes têm em relação a nós. Mas no final sou portuguesa, sou naturalmente reservada, e ainda me custa tanto relacionamento. É um processo, mas vai ver o Mak que eles nos têm em grande admiração, aquela cena de que nós fazemos coisas que eles nunca seriam capazes de fazer... aproveite-se dessa superioridade, e boa sorte!

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    1. Sim senhor, é bom saber que há mundos paralelos na África do Sul :)

      Eu não sou anti-contacto, creio que há muita coisa boa que se pode tirar na promoção do "ajuntamento" entre duas áreas que muitas vezes funcioname em paralela, mas que raramente se cruzam levando a graves problemas no entendimento de estratégias e afins.

      Só não gosto do toque: vai lá tu fazer sapateado, porque eles gostam e fazes bonito. Eu não quero ir por ter barba de três dias, uma orelha furada ou ténis coloridos. Quero ir para ajudar a fazer a ponte entre o que uns precisam e o que outros têm a oferecer, se possível com um discurso coerente e resultado agradável.

      Por cá, em determinados círculos o cliente ainda fala da malta do outro lado do género "Deve ser tão giro ter ideias" ou "Vocês devem fazer coisas muito malucas para chegar a este processo". Eu não sou trapezista e isto é um emprego. Tenho deadlines e exigências como do outro lado. A liberdade condicional que me é concedida é apenas para servir a obtenção de melhores resultados.

      Há que ser justo, não são todos e do meu lado também há quem goste de cultivar essa imagem mas ainda há caminho pela frente :)

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    2. Palavra que o compreendo. É mais ou menos aquela pressão que nos colocam em cima de que temos que ser capazes de atingir a excelência em todos os trabalhos que nos são entregues. Isso e colocarem-nos numa dimensão diferente: há um mundo cheio de pessoas de todas as profissões, e depois os outros, os gajos que inventam coisas. Obviamente que muitos gostam desta diferenciação (eu às vezes tambem, confesso), mas sim, quando nos humanizarem mais e nos virem como pessoas que estão ali para cumprir uma função da mesma forma que eles, talvez a coisa possa fluir melhor, e não tenhamos que nos deparar com tantos "clients from hell".
      Desejo-lhe um excelente fim-de-semana,

      Frederica

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  4. Pena não ter lido isto mais cedo. Prontificava-me para assistir!
    Scheimit

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    1. Mais vale ir ao cinema, nem que seja para ver aquele filme que vai aí agora com o Pedro Granger e o Rutger Hauer...

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  5. Eu costumava fazer uma pergunta, nos tempos em que reunia com os senhores das agencias, eles raramente me respondiam satisfatoriamente, às tantas ficavam inibidos, mas dizia eu que lhes costumava fazer uma pergunta, perguntava qual era a ideia criativa, sempre que me respondiam como deve ser a campanha era aprovada, às tantas era coincidência.

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    1. Gosto muito de responder a perguntas inteligentes, por isso não devia haver problema. Mas eu também gosto de testar interlocutores, para ver por onde nivelar o meu discurso.

      Por exemplo, quanto mais me falam em digitais e virais, mais eu sinto a necessidade de avaliar se a pessoa, por ter conta no Facebook, se acha ou não (e se tem capacidade ou não) um internet expert.

      Eu também gosto dos senhores das agências, creio que por onde ando chego a ver um ou dois quase todos os dias ;)

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