30.9.13

Duas paragens, três discussões e um pensamento


Quando o tempo não ajuda, tanto o metereológico como o que está no relógio que não uso, vou de Metro até ao sítio onde as minhas capacidades profissionais são expostas.
São apenas duas paragens mas aprende-se muito, é o que vos posso dizer.

Mas hoje, o que aprendi foi que segunda feira pós eleições com chuva e restos de fim de semana nas olheiras é sinónimo de lenha para discussões e foram logo três, pelo menos mais próximas:

Ela ao telefone com ele, a terminar o que não foi concluído em pessoa. Que o Bonifácio é só amigo, quer-se dizer o Bonifácio já foi muito mais que amigo, mas deixou de o ser há muito tempo, ainda ela e ele ainda nem se conheciam. E portanto, o café com Bonifácio ia ser apenas isso, um café entre amigos de longa data, até porque era ela que reclamava com Bonifácio quando ele vinha a Lisboa e não dizia nada. Do outro lado ele não parecia convencido, usava cartas de trunfo de quando ela lhe tinha feito a vida negra por causa de “só amigas” que ele também tinha. Ela desmontava-lhe os argumentos, o que a ele lhe devia redobrar a angústia. A simplicidade tem as suas nuances “Mas não achas que se não fosse só isso nós não estávamos a ter esta conversa?”

O casal no Metro, juntos, bem juntos, de mãos dadas e mochila às costas. Não são putos, são malta corporate em que um vai ao ginásio ao almoço, o outro passeia o computador da empresa ao fim de semana. Ela é mais alta do que ele, está de saltos poderá argumentar ele, não interessa continuas a ser mais baixo. Vão descontraídos até à primeira paragem, anunciada pela senhora no altifalante, em que entre as pessoas que saem vão umas calças justas tipo cabedal. O problema não são as calças, mas sim o que as preenche e olhar do minorca que fica lá pendurado segundos a mais. Ela nota, ele ouve primeiro através de um olhar repreendedor, depois pelo facto de tentar argumentar. Às vezes deve-se ler a nota de culpa e engoli-la em silêncio até ouvir “Então, não dizes nada?”. Depois sim, deve dizer-se qualquer coisa em que não se vai ter razão nenhuma.

Três gajos, bola e política, mais do mesmo, blá, blá, blá, felizmente vem aí a segunda paragem e saio. Se não vão acrescentar nada de mundanamente apetecível, então não me interessa.

Conforme caminhava para a saída do Metro, ocorreu-me um pensamento que em nada tinha a ver com todo o resto: “Porque raio me fartei de ver ontem fotos de boletins de voto em directo pespegadas no Facebook?”. E depois segui caminho a discutir comigo próprio a necessidade de um apocalipse zombie.

3 comentários:

  1. Não era um apocalipse zombie que fazia falta, era um apocalipse total, daqueles em que seriam precisos mais uns milhares de milhões de anos para que voltasse a sair alguma coisa da sopa primordial. E desta vez que fossem bróculos com pernas...

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    1. Também podem ser courgettes com pernas, que são um substituto simpático da batata, que assim ficaria dispensada, podendo juntar-se à lógica.

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  2. O sustituto da batata mais "próximo" é o chuchu.

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