2.9.13

A praga do regresso às aulas



“Regresso às aulas”, essa bela expressão. Aqui há uns anos, basicamente o que queria dizer era algo como – acabaram as férias de Verão dos putos e, efectivamente, eles vão regressar às aulas, isto caso não estejam já a trabalhar nas obras (sem mais referências a piropos) ou a estruturar um plano viabilidade financeira para a família.

O aproveitamento do chavão por parte da publicidade massificou ainda mais a expressão e tornou o “regresso às aulas” algo mais abrangente. Hoje em dia, quando utilizamos o termo este já não tem que ver unicamente com miúdos mas, quase sempre com algo que simboliza o fim de férias/acabou-se a mama do lazer.

O problema é quando a publicidade, continuando a capitalizar num termo facilmente reconhecível pelas pessoas, utiliza o chamado vale tudo. Veja-se este anúncio de "regresso às aulas" da Worten.


 Primeiro que tudo, não conhecemos o briefing e, como tal, mais do que utilizar a perspectiva profissional, utilize-se a do consumidor. Seguindo o pastelão de jovens cool, modernos e descontraídos (como é difícil fazer um casting em que as pessoas tenham bom aspecto sem serem modelitos ou perto disso, há 50 mil marcas a projectar o mesmo padrão de gente), o fim das férias é chato. A malta bem tenta animar-se com ecrãs gigantes ao pé da piscina ou até a filmar-se com câmaras e um ar naughty, mas a coisa tem que acabar, especialmente quando temos todos já idade para andar na universidade.

Mas, mais do que a razão ou facto de já não sermos meninos da escola, nada assinala a loucura do regresso às aulas como tablets “a partir de” 59€. E lá vamos nós.

Eu percebo a denominação genérica da campanha em função do período do ano e percebo que ou aquela malta é muito burra ou já são todos universitários, daí os tablets, ainda que a 60€ só acredito que sejam de jeito se forem colegas presos nas malhas da droga a tentar sacar uma guita. Mas, acima de tudo, rogo aos deuses que se dê uma folga ao “regresso às aulas”, quando é um argumento mais batido e ao qual se dá mais voltas para lá chegar do que o clássico “o aniversário é nosso, mas os presentes são para si”.

2 comentários:

  1. Eu chamo-lhe, de há uns anos para cá, o regresso às jaulas.

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    1. E faltam de facto jaulas, para tanta macacada ;)

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