17.8.13

Uma Judite de fazer inveja à outra



Antigamente, segundo sei, judite era uma alcunha da Polícia Judiciária. Por isso, quando me disseram que ontem a judite andava a apertar com a malta nos interrogatórios e que entrava a matar, pensei que era algo positivo, afinal de contas são muitos anos com a bandidagem que por cá temos a ganhar etapas nesta volta que Portugal não dá, mas também nunca acaba.

Depois percebi melhor e vi que a Judite era outra, bem menos útil que a primeira, mas bem mais visível na sua acção. Parece que agora podemos apertar com malta na televisão, especialmente se for rica, jovem e não o disfarçar, ainda que o seu único crime seja uma certa futilidade e um mau gosto nas mulheres “famosas” que convida para a sua festa de aniversário.

O interrogatório ficou gravado, mas não tive coragem de o ver até ao fim. O interrogado, que tinha vestido fato de convidado, porventura apanhado de surpresa lá ia balbuciando o que podia, mas a Judite estava numa missão. Tu és rico e vais pagar por isso, vamos lá recolher provas. Do relógio, ao custo da festa, só faltou questionar se não tinha vergonha de trazer para Portugal mercadoria fora de validade do tempo do Baywatch.

Mas quanto mais escavava a Judite, mais as provas que surgiam eram contra ela e não contra o jovem ricaço. Sai uma prova de jornalismo inconsequente, sai uma prova de falta de cortesia televisiva, sai mais outra de falta de respeito por quem ainda pudesse esperar algo de positivo de algo que já nem para infotainment é. E, acima de tudo, sai a prova que quando se perde o rumo, quanto mais fortes tentamos parecer, mas se revelam as nossas fraquezas.

Nos EUA muitas vezes se recorre a um delay de segurança, em programas ao vivo, para garantir que caso algo corra mal, se possa cortar para intervalo. Por cá, isso tinha feito falta e muita, pois até um bloco publicitário de vinte minutos teria feito mais sentido do que aquele exercício penoso.

A velha Judite devia ter feito uma rusga para acabar com aquele cartel de fel, cegueira mediática e agressividade deslocada. Assim, ficou só a “nova” Judite ali parada, sozinha no seu mundo desconexo e partido da realidade, na qual ela se quis paladina da verdade e da igualdade, sem perceber que se tornava ridícular ao tentar ridicularizar quem simplesmente é como é.

E infelizmente, foi a própria Judite que se incriminou perante milhões ao tentar ser aquilo que definitivamente não é.

2 comentários:

  1. Eu pensei na Manela Boca de Xarroco a entrevistar o rapaz. Não sei se lhe chamaria bufo como fez ao Marinho Pinto, mas acredito que teria descambado para a peixaria típica que lhe assiste nas entrevistas.

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    1. Entrevistem-se uma à outra, assim pelo menos só se estragava uma entrevista...

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