22.8.13

Ryan e os tipos que metem água



Tive ontem a oportunidade de conhecer melhor o Ryan Lochte. Para quem aprecie natação o Ryan é uma espécie de potencial sucessor (à escala) do Michael Phelps, com um plus extra competição – é um gajo bem parecido.





Quando só conhecemos um atleta pelas suas performances, o nosso foco é aquilo que vemos na piscina. Disciplina, execução, competitividade, a parte humana ligada apenas às sensações de vitória e derrota. No entanto, é fácil esquecer que atleta e pessoa podem ser “realidades” distintas.



Acontece que o Ryan não quer que conheçamos apenas o atleta e por isso tem um reality show onde o vemos na sua vida comum, “What would Ryan Lochte do?”. O problema, para quem tem uma imagem idealizada de um atleta, é que conhecer um americano de 29 anos, mundano, com uns toques de pacóvio, com um cabedal que impõe respeito e planos de carreira para além da natação com entourage a condizer, pode ser um choque.



Não precisei de muito tempo, ao ver a série pela primeira vez, para perceber que não ia tirar grande partido de conhecer muito mais do Ryan. A vida real que não conhecemos às vezes está melhor assim no desconhecido.



Confirmei, contudo, que pelo meio de gravações e macacadas o Ryan competiu nos mundiais de natação, ganhou medalhas de ouro e conseguiu alguns feitos ao alcance de poucos. Mas não faltaram aqueles que disseram “O gajo é fenomenal, mas se se esforçasse mais podia estar ali junto aos deuses da natação”.



Sem ter ficado fã do Ryan pessoa é curioso ver que quanto mais endeusamos os nossos ídolos, mais nos esquecemos também que são pessoas e que ser pessoa é sinónimo de ser imperfeito. O Ryan pessoa mete muito mais água do que o Ryan nadador olímpico ultra medalhado e não teria grande entusiasmo em conhecê-lo, mas ele é como é e não dá para cortar às metades.



É essa a razão porque insisto em ser estupidamente igual ao que escrevo. Não há cá metades para cortar, sobrará porventura a vontade de me cortar às postas depois de ler o que para aqui despejo.

7 comentários:

  1. «É essa a razão porque insisto em ser estupidamente igual ao que escrevo. Não há cá metades para cortar, sobrará porventura a vontade de me cortar às postas depois de ler o que para aqui despejo.»

    :)))))))

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    1. Eu sabia que haveria logo quem fosse afiar as facas :p

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  2. Uma vez vi a Vanessa Fernandes no cinema com os amigos e tentei apagar (em vão) essa imagem da minha cabeça para sempre. Parecia um casting para o "Jersey Shore" português. Não foi muito bonito.

    Aconteceu-me o mesmo com o Ballack. Vi-o há duas semanas a curtir à noite. E achei estranho. Porquê? Não sei... Mas criamos uma imagem dos atletas apenas a competir e parece que nos desligamos do seu lado - como dizes - de pessoa...

    pippacoco.blogspot.pt

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    1. São realidades distintas na nossa cabeça. Na deles é que vivem juntas, só que o choque é de quem não os conhece e assume a parte pelo todo.

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    2. Ou o todo pela parte :)

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  3. Entendo-te perfeitamente. Um atleta americano não é um intelectual europeu.

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    1. E, verdade seja dita, atletas tendem a desconfiar de atletas intelectuais, sejam eles de onde forem.

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