12.8.13

Retrato do corredor enquanto “sociabilizador” de fundo


Nestas coisas de correr, já se sabe que a coisa pode ter uma dimensão social, quer se corra sozinho, quer com amigos. Dado o número de kms mais alarves que faço ao fim de semana, muitas vezes acabo por correr sozinho partes de percurso (a malta normal corre uma parte comigo e depois vai à sua vidinha).

Quando não me encontro em fase introspectiva (e, por correr em percursos urbanos, nem sempre levo música, para depois não ter as costas massajadas com autocarros), gosto de fazer o chamado teste do “bom dia, força ou boa corrida”. É simples, quando me cruzo com alguém que esteja a fazer o mesmo que eu, faço uma simples saudação e é curioso ver que as reacções variam, o que ajuda a passar o tempo em teorias que dão posts como este:


O “pró” – Apesar de aparentar ser tão amador como tu, para este tipo a sua corrida é um desporto olímpico. E, em concentração olímpica, não há tempo para responder ao que quer que seja, nem sequer com um gesto.

Os craques -  Ao contrário dos “prós”, pelo ritmo, pelo equipamento (discreto e não trendy) e pela idade (quase tudo 30 e muitos, 40 e tal), estes tipos são veteranos da corrida. Em grupo, têm sempre os porta-vozes de saudação, isoladamente por norma ficam-se pelo gesto.

O cota – Por norma, seja em grupo ou individualmente, mais craques ou menos craques, falam sempre se os cumprimentarmos. Se forem a ritmo mais elevado que nós, normalmente temos direito a duas ou três piadas de veterano do asfalto.

A corredora craque – Ainda são bastantes (embora, por norma ligeiramente mais velhas) as mulheres com que normalmente nos cruzamos em circuitos de cidade. Por norma cumprimentam, mais expansivas quando nos reconhecem, caso contrário ficam-se pelo gesto.

A corredora fashion – Normalmente é a mulher mais jovem (limite meia idade) que conjuga o ginásio, com a corrida outdoor de fim de semana. Tendem, por vezes, a confundir um cumprimento masculino, com a cena “não podem ver uma gaja de equipamento justo...”, como o meu interesse não vai por ali (e a discrição é uma virtude), respondem ocasionalmente com delay.

O camone – É por norma, simpático e acena quando não percebe português. Não é raro, se for na mesma direcção, fazer uma pergunta ou duas em inglês sobre a distância, relevo, etc.

Os ciclistas – Não costumo tomar a iniciativa de cumprimentar o pessoal da bike de fim de semana, mas respondo aos que dizem alguma coisa de jeito. A espécie divide-se, pelo que vejo, em dois – os que vão rolar (em grupo, sozinhos e em família) e aproveitar para se divertir mais ou menos a sério e os palhaços sobre rodas. Estes últimos são minoria, mas são uma minoria chata e que leva para as bicicletas possivelmente o mesmo comportamento alarve que tem ao volante.

O ultra – Malta que está a fazer percursos valentes (30kms para cima). Identificam-se pelo equipamento e pela passada mais ponderada. É mais natural encontrar em vias dadas a percursos longos ou trail e são normalmente bastante solidários no cumprimento.

O zombie – Correu mais do que devia ou está em pior forma do que pensava. Já vai em sofrimento quando se cruza connosco e pode dar qualquer tipo de resposta ou desabafo. Também pode cair aos nossos pés.

O casal – Novo paradigma corredor, em que um puxa pelo outro. Previsivelmente (ou não), em muitos casos só o homem é que responde ou ele responde primeiro e ela depois. Se o casal for de craques, respondem os dois ao mesmo tempo.

O normal – Também há disto. Mas a normalidade é tudo o que não se enquadra nas excepções.

Sem comentários:

Enviar um comentário

Se vais dizer alguma coisa, escreve, não fiques para aí a olhar.