5.8.13

Praia ao domingo em Agosto - Um postal escrito


Querida praia ao domingo em Agosto,



Antes de mais, quero que saibas que continuo a gostar de ti. Algumas coisas que te vou dizer podem não ser as melhores, mas gostava que entendesses isso mais como um desabafo da minha parte do que uma recriminação.



Compreendo que tenhas que dividir as atenções, afinal de contas somos milhões de portugueses que, não tendo onde cair mortos, resolvemos ir morrer na praia e tu és só uma linha de costa. Ainda assim, confesso que ao domingo em Agosto há partes de ti que são mais requisitadas do que outras, é por isso que nesses dias não me apanhas a cruzar a ponte rumo à Costa da Caparica ou a rumar à linha de Cascais, porque tenho sempre medo que estejas a usar aquele teu vestido de gente mais conservador, que nem deixa ver areia nenhuma.



Ontem fui visitar-te à zona da Ericeira e devo dizer-te que estavas melhor do que eu esperava. Cheguei perto da hora de almoço, contando que as famílias mais cuidadosas que estavam contigo, estivessem a sair, protegendo os seus rebentos do calor. Tive sorte, à saída do parque deu para ver duas famílias dessas. O teu mar também estava com bom aspecto, a água é fria, mas bastante tolerável com o calor. (desculpa, mas tenho que te dizer, gosto da forma bruta como tratas as pessoas que não sabem lidar com a tua rebentação. Aquelas chapas na senhora que tentava repetidamente passar pelas ondas correndo em direcção a elas de braços abertos foram memoráveis).



Acho ainda que estiveste a trabalhar na acústica  de algumas escarpas e baías e fizeste bem, pois consegui estar deitado de olhos fechados e, embora em total relax, conseguia perceber o que diziam aqueles homens que falavam baixinho a caminho do mar, normalmente sobre a anatomia de outras senhoras que não as suas (isto quando vão com alguma). É engraçado ver que quando estamos contigo ao fim de um certo tempo a proximidade com pessoas que não conhecemos de lado nenhum é tipo a malta do Big Brother e as câmaras, já nem se dá por isso. Ficamos a saber qual é o filho que é burro, que as senhoras são capazes de dizer mal do bikini da amiga até ela estar a três passos de distância e que os músculos do Eduardo têm “muita merda de comprimidos” por detrás.



Devo ainda dizer-te que notei que as pessoas que vão sozinhas são mais dadas à leitura e que a forma como usas o vento para lhes baralhar os argumentos não as desmotivas. Continuas a usar lancheiras azuladas como acessório, mas eu já te conheço e sei bem que é porque sabes que nem só de mar, sol e areia se alimentam os que te visitam.



Havia mais para te dizer, mas tu de certeza que hoje também não vais estar sozinha e o teu tempo deve ser pouco. E, por mais que te possa chatear com as minhas palavras, sabes bem que vou voltar, é mais forte do que eu e, seja lá o que encontrar, vamos sempre arranjar motivos para juntos nos continuarmos a divertir, mesmo ao domingo em Agosto.

Um xi-coração,

Mak

7 comentários:

  1. ahahahahah! obrigada, agora quase posso dizer que já fui à praia este ano.

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    1. É muito libertador escrever a objectos inanimados e locais, sabendo que eles não podem escrever de volta. E, se escreverem, é ainda mais espectacular ;)

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  2. Muito bom!!!

    Sónia

    www.bolas-desabao.blogspot.pt

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  3. Pelos vistos escolhemos o mesmo destino de domingo a tarde.

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  4. medo! s. Lourenço é segredo de conhecedores! para estar tranquila é que índico todos para a foz dó lizandro, q é maior com espaço para muitos. felizmente há mais praias ainda que não há paciência para a romaria dos fins de semana :-)

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  5. Ahahah... agora falta um post com a resposta da praia, pois que merece dizer algo de sua justiça !

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