30.8.13

O som e a (não) fúria



Seria interessante dizer que, nas últimas horas foi ao som de “Einstein on the Beach”, essa obra experimental de Philip Glass, que teclei furiosamente a história de um gato preto que dava sorte.



Mas ao Glass falta um certo toque de “suspiro ao luar, enquanto a noite dança lá fora”. Aproveitando a referência, talvez fosse bonito dizer que foi quase na penumbra, enquanto se ouvia em loop a “Suite Bergamasque” de Debussy, que nasceu um homem que se visita a si próprio num hospital.



Por outro lado, o classicismo não é algo que me assente assim tão bem, porventura faria mais sentido citar uns Dead Can Dance, recordando o álbum ao vivo “Toward the within” e em especial o tema “Rakim”, que faria sempre parte da minha banda sonora ideal para uma visita à Índia. Além disso, isso ligaria na perfeição com um conto em que uma mulher sonha em sair de uma praia sem saída.



Só que ainda não estou num patamar tão alternativo, não pondero sequer abraçar árvores, apesar de isso já me ter sido recomendado.



Deixando-me de rendilhados, a verdade é que personagens já eu cá tenho à espera, uma fila de fazer inveja a qualquer centro de emprego nos dias de hoje. Por isso, o que eu sou é um gajo de calções que esteve a falar da vida com um amigo que só quem conheça mal é que pode pensar que é “apenas” o dono de uma oficina de automóveis e não, entre outras coisas, uma das pessoas que percebe mais de comics por cá. Já o que estou a ouvir é nada mais nada menos que um grupo de gangster rappers da Samoa, a propósito de uma banda sonora de grande nível com cerca de 20 anos.





A página seguinte diz-me que ou resolvo um guião para uma cena de um trabalho ou desembrulho os problemas de um castelo de cartas em que a dama de ouros e o valete de espadas se chateiam, causando escândalo entre naipes. Creio que a solução adequada é ir dormir.



Mas não ao ritmo desta rapaziada volumosa.

1 comentário:

  1. O Another Body Murdered com os Faith No More é um belo som desses rapazes.

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