27.8.13

O destino é uma enguia escorregadia



O teu pai é um génio em várias áreas da ciência, entre as quais a física quântica. Bebe, fuma e come como se não houvesse amanhã. Aos 51 anos morre durante a noite, subitamente, de falha cardíaca.

A tua irmã, presa num mundo de esquizofrenia e depressão, suicida-se. Dois anos mais tarde, a tua mãe morre de cancro de pulmão, aos 58 anos.



Ironicamente, uma prima tua que é assistente de bordo, morre quando o seu avião se despenha contra o edifício em que o teu pai trabalhou parte da vida.



E a ti, o que te sobra? A música e tudo o que ela te permite canalizar.





É esta a história de Mark Everett, E para os amigos, membro fundador da banda Eels. Estou longe de ser fã de som “para curtir a depressão” mas, em álbuns como o Electro Shock Blues (muito ligado à deterioração da vida da irmã) e o Beautiful Freak, torna-se envolvente ouvir uma história, ainda que negra, por meio da música. E é por isso que, regularmente, lá vou ouvi-los de novo.



Não é uma ode ao desespero, mas são reflexos daquilo com que a vida o confrontou e poder apreciar isto apenas na vertente musical, é um consolo. Como é óbvio, a nuvem negra, em termos musicais, pode tornar-se um adereço ou quase um estilo. Mas, perante a realidade, como não pensar por vezes que “this could be our lucky day in hell”.

1 comentário:

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