16.8.13

Há pessoas estranhas a olhar para nós na rua


Às vezes gosto de acreditar que existe alguém lá em cima a olhar por mim. Tudo bem que este é um conceito muito variável, que vai do anjo da guarda, ao faroleiro, não esquecendo a assistente de bordo de bons predicados, mas o que importa é que é suposto ser uma sensação positiva.



O problema é que, em época de eleições autárquicas, as pessoas que estão lá em cima a olhar por nós são candidatos montados em outdoors e isso, a nível de sensações, a mim causa desconforto e medo.



Começando pelo que me é geograficamente mais próximo, temos este senhor. 





Tem aquele ar ligeiramente voyeurista que, por exemplo, junto a um jardim pode dar aquela sensação “hmmm, todos suados, corre miúda corre…eu estou aqui com dois pés atrás de ti”. Isso leva-me ao headline, que mais não é do que uma tentativa de reafirmar um raciocínio de alguém que andou por outros lados, mas que diz que aqui é que vai ser (para além de, em termos de futebol, este slogan poder dar direito a cartão amarelo). O problemas destas frases é que…





Confrontadas com a paragem anterior em Sintra, assumem um tom de comédia esquizofrénica, onde de coerente há apenas o sítio onde a mão e a cara se tocam.
Partindo para outros lugares, mais do que as propostas em jogo, o nome do candidato pode ajudar a uma comunicação mais impactante.

 
"Ó Elzaaaa, achas que meter uma espécie de flores desbotadas no cartaz nos vai levar à Vitório?"

"Só três palavras com valores não chegam, temos que arranjar mais para ninguém poder gozar com o nome Flamiano"






Noutras paragens, era preciso dar um toque jovem e fresco, exigiam-se palavras como mudança e inovação. Vamos fazer uma parelha, a bela da região e o dinossauro político, mesmo que o resultado final pareça uma equipa com tanto em comum como a Irmã Lúcia e o pequeno Saúl.

"Esteves, isso que está a apalpar não é a minha intenção de voto..."




Finalmente, um dos meus preferidos até ao momento – o Marco de Gondomar. Marco poderá ser até o tipo mais competente do mundo mas, pelo que se vê, tem tanto à vontade para sessões fotográficas como eu para malabarismo com tochas ardentes.

"Estou tão feliz e tão assertivo que nem me importo de estarmos prestes a ser atropelados pelo metro"

"Estou tão feliz e tão assertivo que consigo ver através das paredes da autarquia em busca de transparência"

"Estou tão feliz e tão assertivo que pedi uma camisola emprestada ao Tony Ramos para ir correr no parque"





Embora graficamente os cartazes não sejam do pior, têm até um conceito, o sorriso forçado e a pose de robocop idêntica nas três fotos (com farta pelagem no clássico mangas arregaçadas) mostram que Marco possivelmente tem tanto medo perante a objectiva como eu perante os seus cartazes. Além disso, amigos das fotomontagens, as três pessoas do cartaz Perto tresandam a banco de imagem e creio eu não traduzirem muito bem a proximidade com o munícipe, ao passo que os do cartaz Vivo de portugueses têm pouco e creio que o trekking em parques da cidade deve ser reduzido. É algo básico mas que, dado tudo o resto, só reforça a “proximidade forçada” pela qual tanto nós, como o Marco, somos obrigados a passar.




Pelo país inteiro, eles andam a olhar por nós, com palavras fortes e ar suspeito. E o pior de tudo é que, na maior parte dos casos, só eles é que vão ganhar alguma coisa com isso.

12 comentários:

  1. Gozar com o nome Flamiano?? Que tem de mal?

    Podemos antes gozar com o bigode??!

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    1. Os bigodes entram e saem de moda (podemos talvez criticar o estilo "anti caldo verde" do mesmo), o nome Flamiano parece fruto da diversão de pais, amantes de queijo, indecisos entre Flamengo e Limiano.

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  2. Eu voto no Mak porque ele é mau e tem sentido de humor apurado :)
    Scheimit

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    1. Não vou a votos, tenho medo que me enfiem num cartaz a assustar pessoas ;)

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  3. esse olhar por nós é o mais perto da omnipresença que há!

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    1. Ui, assustador é se for omnipotente.

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  4. Há um estudo australiano que diz que o título deste post é a frase mais ouvida dentro dos manicómios :)

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    1. Napoleão disse-me o mesmo.

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    2. Nesse caso, o estudo era francês!

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  5. Olhe, não sei que lhe diga. Afinal até sei.
    Chorei a ri com este poste. Fiz aquela figura triste que leva a que quem comigo partilha a casa me viesse em socorro aflito com o clássico:
    - ó mãe, outra vez a chorar?
    Enfim, brigadus, era isto.

    Só uma Nota de perplexidade: A Maria José Nogueira PÇinto não morreu? (nessa parte do poste acho que chorei sem rir)

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    1. Obrigado eu. E sim, o poster da Maria José Nogueira Pinto estava desfazado, porque era referente a eleições anteriores. Na altura, ao procurar o Seara em Sintra surgiu-me e, por lapso meu, mentalmente assumi que tinha sido a irmã a falecer.

      Assim sendo, não fazendo sentido, para que não que incorra apenas em mau gosto, retirei. Obrigado pelo reparo.

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  6. De nada, ora!
    Bem me pareceu tratar-se apenas, e só, dum "lápis" :)

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