13.8.13

Dois minutos para vos falar de suspense e do tio Alfred


Se descontarmos o facto de, graças à sua obra, Alfred Hitchcock poder ser considerado imortal, se fosse vivo rivalizaria com Manoel de Oliveira e faria hoje 114 anos. E embora sobre Hitchcock se possam escrever resmas de texto, queria apenas dedicar umas linhas à curiosa e (para mim) muito atraente palavra/conceito de suspense. Diz o dicionário:

(do inglês suspense)
s. m.
Momento de um filme ou de uma obra literária, em que a acção, parando um instante, mantém o espectador, o auditor ou o leitor em expectativa ou ansiedade relativamente ao que vai acontecer.

Dada esta definição, acho-a ligeiramente redutora, em especial na parte de “…a acção, parando um instante…”. Na verdade, a minha concepção de suspense não implica paragens, mas sim o trabalho/as circunstâncias à volta de uma situação que nos mantenham agarrados ao que queremos saber, sem o revelar de imediato.

E para mim, a beleza do suspense é um factor chave da obra de Hitchcock é fazer-nos gostar, ansiar e querer navegar pelo meio dessa sensação de suspense, quando na vida real a nossa curiosidade e ânsia de imediatismo nos leva a não ir muito à bola com “suspenses”. Atenção, não confundir surpresas com suspense, porque este último é uma construção gradual que leva a uma determinada revelação, ao passo que a surpresa é algo a que somos alheios até ao momento dessa mesma revelação.

A esse nível, entre as muitas obras do tio Alfred que aprecio, “A corda” é possivelmente das que mais me deixa maravilhado pela forma como explora o suspense, numa perspectiva que se fosse mal feita, nos faria bocejar e olhar para o lado em dois tempos.



Para quem seja curioso, revivalista ou simplesmente tenha muito tempo livre, é possível encontrar a versão completa do filme no Youtube. Sem suspense, directo ao assunto.

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