14.8.13

Camisas de manga curta - um estudo de viabilidade


 

É certo e sabido que este senhor, cujo nome poderia revelar um gosto pelo risco (nem que fosse a nível do sistema circulatório), é apologista de uma certa distinção conservadora. Assim sendo, num conjunto de sugestões para um mundo melhor, a erradicação da camisa de manga curta para homens veio à baila.

Não concordando eu com a premissa, na saudável refrega que veio à baila no seu estaminé falou-se em Harvard, nas preferências femininas e em classes superiores. E, embora não me guie pelos mesmos padrões, não hesitei em contactar o Gabinete de Guardarroupalogia Sociológica da Universidade de Badmington que partilhou comigo alguns dados sobre um estudo de viabilidade efectuado sobre o impacto do uso de camisa de manga curta por homens nas relações sociais.



1 – O factor de risco

Como qualquer peça de roupa, a camisa de manga curta pode gerar conotações, consoante a sua utilização por determinados grupos, “Ai, é coisa de sindicalista” ou “Faz-me lembrar o revisor da Carris”. As convenções podem tornar certos grupos conservadores mais resistentes à mudança mas, é curioso notar que esses fenómenos se podem observar quer no extracto social mais elevado, quer no mais baixo. Retrato abaixo alguns cenários a evitar mas será interessante verificar, por exemplo que Arménio Carlos, líder sindical, embora mantenha no nome os predicados da categoria, ao nível da indumentária as suas preferências parecem ir mais pelo pólo e pela camisola com camisa por baixo. Sinais de mudança?





2 – O factor bom(d)



Para quem possa ter James Bond, como referência de estilo, aprumo, savoir faire, laissez faire e outras expressões francesas que sugiram um certo posicionamento garboso, que se note - ao longo dos tempos, esse ícone masculino nunca fugiu ao artigo em questão, sabendo utilizá-lo apropriadamente nos ambientes.







3 - A roleta não russa do vestuário



A verdade é que as etiquetas mais importantes que se colam às roupas não são as que as próprias roupas trazem mas sim aquelas que, dentro de um patamar consciente, digam o que nós dissermos que dizem. Dos mais variados universos (clássico, político, artístico, rebelde) é possível construir uma iconografia sedutora de pose máscula envergando a bela da camisa de manga curta. É um must que se adapta a todos? Não será porventura, mas num país em que o sol e o calor abundam (mesmo no verão mais frio dos últimos 200 anos...), é uma solução viável, recomendável e desejável, a não ser perante ambientes em que reine a naftalina.










4 – A moda das modas



Quando algo entra na moda, seja ela mais hipster, ermenegilda ou standard, podemos ter uma certeza: terá sempre o seu grupo de seguidores e o seu grupo de inovadores e haverá também quem diga que não é de modas, alinhando de seguida a gola da sua samarra.




O realmente importante, para além disto tudo, é que eu gosto e isso, statements de personalidade à parte, chega perfeitamente para complementar este estudo de viabilidade, deixando que a rejeição que esta escolha possa causar, sirva como repelente natural. E isso, é coisa para dar pano para mangas, mas não agora.

12 comentários:

  1. Lá está: Depende de quem use, quando use e como use. Desde que vi um homem de fato cujo blazer era de manda curta, já estou por tudo.

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    1. Por essa causa já não meto as mãos no fogo :)

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  2. Sobre as camisas de manga curta, não digo nem sim, nem não,,, digo que é relativo...

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    1. Pronto, camisa a três quartos e não se fala mais nisso.

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  3. Querido Mak, gosto muito de ti mas a tua causa é indefensável.
    (admite-se, contudo, em determinados contextos - deserto, safari, ou fim de tarde em ambiente náutico -uma exceção para a camisa de linho branca)

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    1. Bem, se levar à letra o facto de que vivemos numa selva, então tenho aqui mais um argumento para juntar à festa.

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    2. Se bem que aquela fotografia do Brad Pitt foi um argumento de autoridade :)

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  4. Não ligues a pseudo-snobs.

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    1. Não é caso para tanto, este tipo de debates são mesmo para ter de ânimo leve.

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  5. Tenho alguma dificuldade em entender a discussão, é como dizer que ganga é roupa de operário. De qualquer maneira, pontos extras pela imagem do Hemingway. Ainda assim, podemos sempre rir do Charles Barkley. http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=mDFPkwt5a2o

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    1. Ahah, desportos americanos não contam, apesar do Barkley ser uma instituição.

      Ainda com o mesmo personagem e a mesma indumentária - http://www.youtube.com/watch?v=Rlzr-ICVQrE

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  6. não sou defensor da camisa de manga curta, prefiro fazer as dobras na de manga comprida, é mais versátil. Mas pior que a camisa de manga curta é qualquer outra coisa semelhante a uma camisola que seja de manga curta e ou de cavas e tenha uma gola alta. não faz sentido.

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