22.7.13

Portugal é um Oceanário onde nadam “seres políticos”



Quando crescemos, rapidamente nos dividimos em dois grupos: os que têm talento político e os que irão passar a vida a ser governados por políticos. O lado astuto e maquiavélico da política pode ser ensinado, pode ser aprendido, mas tem que haver uma centelha que seja do gosto pela política para que o resto possa entrar em combustão.



Ainda ao crescermos, ensinam-nos a desdenhar dos seres políticos, que são todos invertebrados, que gostam de poleiro, que nadam onde for preciso para chegarem onde querem e que, depois de lá chegados, se esquecem imediatamente de onde vieram. Os mais sonhadores, entre os que crescem políticos, juram que não serão assim, que para mudar o sistema é preciso estar por dentro, descobrindo mais tarde que estar por dentro é por norma sinónimo de que o sistema nos mudou primeiro do que nós o mudámos a ele.



A questão, se a pusermos assim, é que a versão idealizada de sistemas sejam eles de que espécie ou classe política forem, será depois manobrada por homens imperfeitos. E as coisas são assim porque é essa a nossa natureza, a de cobiçar a perfeição através da nossa imperfeição, sem nos apercebermos que assim que lhe deitarmos a mão a vamos tornar imperfeita. Os políticos serão porventura os que melhor sabem manobrar a máquina, mas isso não são boas notícias, especialmente para quem não é político.



O problema é que manobrar um sistema tem os seus custos e quem dele tira partido, sabe perfeitamente que isso acarreta um custo para outra parte. A coisa pode ser mascarada de toda a forma e feitio, com palavras nobres e desígnios nacionais, mas o custo está lá e por norma nunca afecta os que o estipulam.

 O peixe-palhaço é conhecido politicamente pela sua imobilidade, tentando não tomar decisões.



Em Portugal nadam seres políticos de todas as espécies: dos graúdos, que assustam pela sua aparente imponência até descobrirmos que não fazem nada a não ser nadar de um lado para o outro, aos pequenos e escorregadios que sabem sempre onde estar para aproveitar as falhas dos que nadam com eles e assim ganharem poder. Dos que assumem todas as cores de fundo e reflectem o que for preciso para se safarem, aos que precisam de estar constantemente a passar por cima de outros para não irem ao fundo. Os mais perigosos são por vezes os que parecem mais pacíficos e os mais pacíficos por vezes são os que já estão mortos, mas cuja especificidade do seu organismo lhes permite continuar a simular estar vivos.



Todos os dias aparece uma espécie nova e o ser político é tão versátil que se dá bem em todos os viveiros, das assembleias aos locais de trabalho, dos grupos de amigos às reuniões de condóminos. Havendo decisões a tomar e grupos de pessoas, não falta mais nada.




E no fim disto tudo, Portugal é cada vez mais um Oceanário, um sítio onde apontamos e ficamos de boca aberta a observar os seres políticos e, sem darmos bem por isso, nós é que estamos dentro de água a afogar-nos lentamente.

2 comentários:

  1. Muito bom!

    Em todo o caso, pergunto: quem é que nos vem mudar a água?

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  2. Gostei! ... e os peixes-palhaço dão o toque final.

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