25.7.13

O reboot do despedimento



Vivemos numa época em que tratamos o despedimento por tu, apesar de não querermos ter nada a ver com ele, seja como decisores, seja na vertente mais comum de alguém que acaba de levar com a marreta na cabeça. Mesmo para aqueles que têm a felicidade não o conhecer pessoalmente, hoje em dia infelizmente abundam à nossa volta histórias do género, em que os protagonistas são colegas, amigos ou até pessoas com quem podemos não ter grande afinidade, mas com quem passamos horas suficientes para nos fazer alguma confusão quando as vemos a caminhar pelos corredores como se tivessem levado com uma bala no peito.



Nunca é um momento fácil e eu sou daquelas pessoas que nunca sabe bem o que dizer perante alguém que acaba de ser despedido. Chateiam-me os lugares comuns, aquele conforto de encher chouriços, mas também não me agrada o olhar para o ar e fingir que não se passa nada. Mas, acima de tudo, não quero ser aquela pessoa que vem apelar à lógica das razões pelas quais tudo se há de resolver.



É que as pessoas acabaram de levar com um chorrilho de lógica em cima, com razões preponderantes, critérios financeiros, desempenhos e outros engenhos administrativos, mas só ouviram uma coisa – Não vai ser possível continuarmos a contar contigo (ou uma das 500 mil variantes que evitam a palavra chave – despedimento). A lógica pode ser bem pior que uma batata.



Toda a gente reage de maneira diferente exteriormente mas, por dentro, acabam de entrar em reboot. E já se sabe, quando um computador crasha a meio de um trabalho, o máximo que podemos fazer é esperar que ele se reinicie para saber o que se salvou.

E isso, quando se trata de um reboot por despedimento, tanto pode demorar uns minutos como levar muito, muito tempo.

Sem comentários:

Enviar um comentário

Se vais dizer alguma coisa, escreve, não fiques para aí a olhar.