10.7.13

O que é o amor, segundo o filósofo Haddaway


Vejo muita gente a falar do amor e, apesar de ser um tema recorrente ao longo dos séculos, a sua definição e os seus efeitos estão longe de ser consensuais. Sendo assim, em vez de ser apenas mais um a deitar lenha para a lareira, fui beber aos ensinamentos do filósofo Haddaway, nome menor entre os chamados especialistas na matéria (e olhem que são muitos), mas que ainda assim deixou uma marca épica na interpretação desse sentimento que tantos corações faz bater ou parar.

Foi em 1993 que, através de uma poema musicalizado, Haddaway nos deu uma interpretação concisa e real do que é o amor e, mais do que estar primeiro a analisá-lo, é importante revermos a mensagem que nos transmite.



E então, afinal o que é o amor?

Pelo simbolismo de Haddaway percebemos que o amor começa por ser tipo Supercola 3, e que por vezes quando se ama, podemos ignorar que o alvo do nosso amor é um busto. Tal como um mantra, este filósofo que também não descurava o culto do corpo, refere-nos que onde amor há dor e que é importante procurar a certeza na dúvida.

O amor é também um lugar mal iluminado, mas por onde continuamos a avançar sem medo, a ponto de corrermos de costas escadas abaixo. Embora a incerteza por vezes nos possa transmitir acessos que, em certos lugares, seriam considerados epilepsia, o amor não nos deixa parar. Para isso, também pode ser importante a visualização do amor como uma vampira de vestes reduzidas com a qual podemos dançar um tango.

Pode parecer pouco coerente mas, afinal de contas, quem disse que o amor é racional? É uma teatralidade que só faz sentido para os envolvidos, por muito bacoca que possa parecer para todos os outros, uma casa gigante em que nos podemos perder junto de vários castiçais, sem que nunca procuremos a saída.

Mas, se atentarmos também às palavras de Haddaway, ele procura sinais, ele não sabe o que mais dizer mas, por muito que lhe doa, ele ama e por isso juntos, são só um e essa sensação pode durar para sempre. É importante observar a contradição entre o que diz Haddaway e o que ele nos mostra, especialmente numa fase em que o vemos a gerar electricidade pura.

Será que é este o sinal que, por muito que falemos, o que interessa é o que demonstramos factualmente por amor? Haddaway não se preocupa em responder, insiste em gestos estranhos e nas perguntas – deixando para o observador a questão – obrigará o amor ao recurso a relaxantes musculares?

O ponto fulcral na obra de Haddaway, conforme ele repete o mantra no escuro, vendo o amor (ou a dúvida?) sugado de forma teatral pelos vampiros que são os sentimentos e o sofrimento é apenas um e só um – O que é o amor?
Não cabe a cada um responder, mas sim sofrer continuamente na busca de um significado se assim o tentarmos. Se desistirmos de procurar definições mas simplesmente amarmos, então sim até as palavras e o testemunho de Haddaway farão sentido.

2 comentários:

  1. Brilhante interpretação, e olha que não é fácil encontrar sentido em Haddaway. Clap clap clap. Nunca mais recordarei esta música, perdão, esta peça filosófica da mesma forma!

    Sara

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  2. Eu não tenho som no pc do trabalho mas fiquei com a música na cabeça, obrigado Mak, obrigado. :|

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