22.7.13

Momentos da vida em que tu não és tu


Não se trata aqui de cenas metafísicas, nem do recurso a substâncias ilícitas que nos possam fazer pensar que somos uma maçaroca de milho com futuro no sapateado. Não se trata sequer de emborcar uns copos e pensar que somos um bravo viking capaz de puxar um Smart com os dentes.



São apenas factores muito simples que nos transformam, do nosso “eu” normal em outra coisa qualquer, por norma estranha e quase irreconhecível: o sono e a fome.



O primeiro é obviamente transversal e, se não nos fizesse falta (ainda que em doses diferentes), não era também utilizado como tortura. Mas, o que me traz hoje aqui é a fome, não fome a sério, coisa que a maioria das pessoas com que convivemos felizmente desconhece, mas o apetite a que vulgarmente damos esse nome.



Eu conheço gente que com fome se transforma e não é para melhor. Pegue-se numa pessoa normal, tiremos-lhe o alimento por algumas horas e temos: os birrentos, os irritados, as divas, os chorões, os chatos, os incoerentes, os xico-espertos, os incoerentes ou até mesmo os fatalistas. E olhem que eu nem sequer vou incluir aqui as grávidas, porque as perturbações hormonais quase que as colocam na categoria de inimputáveis.



Os senhores da Snickers têm nos últimos anos capitalizado neste conceito de “Tu não és tu quando tens fome” e algumas das suas execuções demonstram o que quero dizer melhor do que eu alguma vez conseguiria fazê-lo.

Pior do que isto, só um tipo que eu conheço que permanece voluntariamente com um penteado igual e não há Snickers que resolva a questão.

Robin Williams é bom, Zed da Academia de Polícia é tão mau que é óptimo.

Divas, algo que não tem nada a ver com Castelo Brancos.

Simplesmente, a deliciosa incoerência.



Entre outros, também ha a versão Joe Pesci ou Betty White.  E agora, que já vos forcei a um exame de consciência, vão lá comer qualquer coisinha antes que se transformem no monstro da Lagoa Negra ou algo parecido.

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