11.7.13

A saudade de reconhecer à distância um maluco na rua


Toda a gente sabe que a vida está difícil, pelo que acho extremamente incorrecto que até nos pequenos prazeres da rua nos dificultem as coisas. Refiro-me, claro está, à fácil identificação de um maluco quando com ele nos cruzamos na rua.

Usando três sentidos básicos (visão, audição e olfacto) não deveríamos ter dificuldade nessa tarefa, mas a tecnologia e a crise insistem em baralhar-nos. Tirando em casos extremos, a visão já não é aquele identificador rápido de outros tempos, pois se um tipo enrolado numa carpete ou alguém com um bombo de cartão que vai tocando com um par de sapatos não são difíceis de identificar, os loucos têm um ar cada vez mais normal.

Quando nos apoiávamos na audição, apontando rapidamente gente que falava sozinha e tinha discussões com amigos como o caixote do lixo ou o poste de iluminação, não tínhamos que lidar com a panóplia de auriculares bluetooth e gente que fala para os headphones, não porque esteja a tentar contactar Freddie Mercury, mas sim porque tem a prima Júlia do outro lado a pedir a receita do bolo de bolacha. Dentro de mim há uma força que insiste que essa gente também é tecnicamente doida, mas tenho saudades de assistir a uma boa conversa entre um tipo com os fusíveis em baixo e um sinal de proibido estacionar.

Resta o olfacto, ainda fidedigno mas, se para distinguirmos um maluco na rua tivermos que deixar que a sua eau d’urina (na melhor das hipóteses) entre no nosso radar, isso não é propriamente um sinónimo de felicidade.

São precisas novas pistas e novos indícios para detectar malucos na rua e, até ao momento, ainda não há CSI que me valha na matéria.

1 comentário:

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