12.6.13

Os mestres da grelha






Há uma classe entre os homens, uma classe ancestral a que pertencem os entendidos nas artes da grelha, uma espécie de Ordem dos Grelhados não declarada que faz com que até o menos afoito na cozinha tenha um dote de que se possa orgulhar.

O tempo, a temperatura das brasas, a quantidade de sal, o tipo de combustível (tanto para servir a grelha, como o responsável pela mesma) e todo um pequeno conjunto de factores ajudam a distinguir os mestres da grelha do comum dos mortais.

Há também uma escala para quem se distingue na arte da grelha, que vai do bastante pedestre: “Eu costumo fazer uns grelhados ao fim de semana para a família”, passando pelo “Junta-se sempre muita malta quando sabem que vou fazer uns grelhados” até ao “Vem gente de fora para comer os meus grelhados e o tipo do talho até chora de emoção quando lá entro”.

E depois, temos os grandes eventos, como os Santos Populares. E eu, mero peão no mundo das artes da grelha terei uma vez mais a oportunidade de voltar ao lugar onde um dia conheci “Lord of the Grill” como era conhecido depois de ter passado uns tempos no estrangeiro. Virava sardinhas, febras e entremeada como quem pinta uma obra de mestre, sem nunca deixar de ter uma mini na mão.

Infelizmente, pelo que sei, hoje não vai lá estar, mas viverá para sempre na minha memória o dia em que, não querendo partilhar os segredos da grelha, pelo menos partilhou comigo um trocadilho que envolvia as palavras “febra”, “grelha” e “braseiro”.

Honra seja feita aos mestres da grelha.

1 comentário:

  1. Compreendo perfeitamente o encanto . Eu também sei umas coisinhas, adquiridas nos meus muitos anos a virar frangos... Artistas destes, pah, já näo se encontram por aí aos pontapés...

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