7.6.13

O portal mágico do Campo Grande


Fui ao dentista hoje de manhã e essa foi a única razão para estar tão cedo no Campo Grande. Creio até que o efeito da anestesia pode ter contribuído para a teoria do portal mágico mas, neste post, a diversão está automaticamente garantida pelo facto de me estar para aqui a babar, meio dormente do lado direito da cara.

Depois da consulta, vinha eu a passar aquele edifício pós-moderno da Zon quando resolvi usar cinco minutos do meu tempo para constatar aquilo que já há muito desconfiava – Com aquele prédio ali, estando de frente para o estádio, formou-se um portal mágico que traz todo o tipo de gente através dele. É tipo um triângulo das Bermudas, mas ao contrário e entre o Metro, as camionetas e a envolvência da zona, só me surpreende não ter visto um Uruk-hai numa paragem.



Assim, sem exagero, parei e fiquei à espera de ver as primeiras cinco figuras que iriam sair de lá:

1 – Gaja, cabelo curto, loiro quase branco que podia ter sido amiga da Xena, a princesa guerreira, se tivesse mais roupa de pele (ok, se tivesse mais roupa, ponto). Tinha grande tatuagem espectacular com uma espécie de pássaro entre o ombro e o peito do lado direito. Fiquei impressionado e só não percebi porque é que o pássaro não teve atenção aos detalhes e tatuou aquela gaja nas suas costas.

2 – Cidadão com fato justo, tão justo que o fazia parecer gordo, mas não de nível Galifiniakis, apesar da calça ser roxa. Barba naquela fase em que o desmazelo e o estilo estão em conflito próximo e não se sabe quem vai ganhar. Ou era doido varrido ou tinha auricular bluetooth. Não fui descobrir, porque fico sempre com medo de interromper conversas com entidades extraterrestres.

3 – Mestre africano, calça de fato, mas com aquele manto por cima e aquele simpático gorrinho colorido de lã. Traz uma pasta na mão, mas a pasta parece estar vazia, porque ele a vai atirando ao ar, como se tratasse de um bebé de seis meses que ele não valorizasse muito. Come um nougat e isso prova-me que não só tem boa dentição, como desafia os perigos de comprar nougats no Campo Grande.

4 – Miúda com pinta de estudante traz headphones maiores que a sua cabeça e canta algo que tanto pode ser Lady Gaga como Gipsy Kings. Dá dois passos de dança, de olhos fechados e tropeça numa laje do pavimento que está solta e quase que se espatifa toda. Por dois segundos penso em ir ajudar, mas reparo que a laje me parece estar bem.

5 – Gajo que me vê a olhar para ele e sorri. E eu desconfio sempre quando gajos que saem de portais mágicos no Campo Grande sorriem para mim sem que eu os conheça. Talvez me viesse passar uma palavra de Jesus, oferecer um desconto em depilação definitiva ou perguntar-me se estava livre para jantar. Evito com o truque mais farçola e eficaz que conheço – simulo que estou a atender o telemóvel e começo a conversar com o vazio.


Depois, segui para o Saldanha, onde a abundância de pessoas de fato e look empresarial ajuda a fazer passar mais depressa o efeito da anestesia.

8 comentários:

  1. quando pararam rir comento.

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  2. quando parar de rir, digo. até já me troco toda.

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    1. Rir pode ser complicado junto ao portal do Campo Grande, eu raramente me atrevo.

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  3. Aposto que o mestre africano era Teal'c disfarçado... Eles, os de lá, se não andam pelo Stargate do Campo Grande undercover, ainda se arriscam a ser violados, ou tamborilados, ou flautados ou sei lá... é que anda por ali tanta Tuna

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    1. Tudo o que meta pandeireta e actos de violência faz-me muita confusão...

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  4. Talvez tenhas descoberto outra porta para a entrada no wonderland...embora não me recorde de ter por lá visto essa gente.

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    1. Só espero que não seja daquele aborrecido tipo de alucinações que só um é que vê... isso já é tão datado...

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