27.6.13

As razões porque te desaparecem os amigos


Em mais um estudo levado a cabo pelo departamento de Especulação Avançada da Universidade de Badmington, a que tenho a honra de presidir, eis um excerto do top5 de razões que levam ao desaparecimento de amigos (que é algo diferente das razões porque cortamos com alguns amigos):


Mudança de habitação para um sítio que, segundo eles, fica a 15-20 minutos do centro da cidade onde moras. O mais certo é passares a vê-los com a regularidade de eclipses lunares e, se tentares ir ter com eles, ou te dão um complexo croquis ou é qualquer coisa do género “Depois quando chegares ao lugar Y, esperas por mim e eu vou lá buscar-te. É mais fácil assim…”. Basicamente, entram no registo em que é preciso tirar férias para os encontrar.

Têm um filho – Aqui o grau varia e pode ir desde o desaparecimento parcial, em que passas a revê-los em sistema speed-friend-dating ou ao clássico “Temos de combinar um jantar sem os miúdos”, em que depois 97% da conversa ao jantar é sobre….miúdos. Nos casos mais graves é o chamado identity hijacking, em que a criança toma conta da conta das redes sociais do pai/mãe, lhes controla as chamadas, os emails e, mais importante, o cérebro. E depois há o problema de não negociarmos com terroristas, mesmo que sejam pequenitos e fofinhos.

Entraram na máquina do tempo sentimental – Antigamente, isto era conhecido como a “crise da meia idade”, só que qualquer idade passou a ser válida, porque em muitos casos, há sempre tempo para não perceber nada do tempo que passamos a ter sentimentos. Seja porque se separaram, saíram de uma relação, entraram numa relação, estão na porta rotativa das relações ou descobriram uma nova utilização para a palavra “relações”, por mais que tentes nunca os consegues encontrar ou sincronizar o vosso tempo.

Converteram-se religiosamente a uma qualquer actividade com a qual tens zero de afinidade ou perto disso Seja zumba, danças de salão, spinning, running, kick boxing, trekking, downhill, yoga, boardgaming, life coaching ou o diabo a quatro, ou entras no clube ou nunca mais os vês. Porque boa parte dessas coisas são viciantes, dizem eles. Só não desaparecem se forem do tipo evangelista e, nesse caso, sempre que estiveres com eles vão tentar converter-te ao que praticam. E, nesse caso, vais ser tu a desejar que desapareçam.

Eram conhecidos e não amigos – E isto é toda uma teoria à parte que faz parte da doutrina que distingue amigos de conhecidos. Neste caso, conhecidos são pessoas com quem partilhas um espaço físico (universidade, bairro, local de trabalho) e com as quais te dás bem. Quando sais/mudas desse espaço físico, só uma pequena % de relações sobrevive a essa distância – os teus amigos. O resto, são relações porreiras, mas circunstanciais.

Nota: Tentei meter uma imagem com ursinhos, mas não ia parar de chorar se o fizesse.

3 comentários:

  1. Eu acho que o departamento de Especulação Avançada da Universidade de Badmington deveria receber mais apoios porque faz estudos pertinentes e muito bem fundamentados.
    Concordo plenamente e este top5 é particularmente óbvio nas mulheres. As minhas amigAs desaparecem a uma velocidade estonteante comparando com os amigOs.

    Mais umas quantas especulações e ganhas um Nobel :)

    Scheimit

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  2. Casar e ter filhos em contra-ciclo dos teus amigos também resulta muito bem neste particular.

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  3. Eu casei com 21 anos e tinha a Minhamáisvelha com 22. Os miúdos devem funcionar como espanta amigos, pois posso contar os que percorreram os anos connosco até hoje pelos dedos duma só mão....

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