2.6.13

Archie Bunker e as Ediths desta vida




Pode não parecer, pela minha postura ascética e pelo cuidado com que piso o nenúfar que é a vida, mas sou um gajo que liga bastante ao humor. Vai daí que tenho gosto em descobrir referências nesta área e, nas minhas vagas memórias infantis, consta obrigatoriamente o All in the Family (salvo erro, Família às direitas em Portugal).

No âmbito das sitcoms americanas típicas dos anos 70, que em muito casos só passariam cá bem mais tarde (algumas delas com loops no Agora Escolha), a definição dos personagens centrais ditava muitas vezes o sucesso das mesmas. Neste caso, ao racista/preconceituoso/ignorante/xico-esperto/mas ainda assim de bom coração Archie Bunker, contrapunha-se a sua esposa Edith, ingénua/dedicada/tolerante/fada do lar/emocional e a coisa era disfuncionalmente perfeita. Se lhe juntarmos o genro “cabeça de abóbora” (o agora irreconhecível realizador Rob Reiner), a filha e uns secundários de nível, a receita ficou garantida para uns anos.

Saiu hoje a notícia que Jean Stapleton, a Edith desta série, morreu de causas naturais aos 90 anos. E sendo essa uma notícia que demosntra apenas aquilo que é a lei da vida, por outro lado, deixou-me a pensar se as Ediths, o retrato de uma mulher de uma geração que se calhar tem mais que ver com os nossos pais ou avós, ainda existem ou estão a desaparecer.

E a verdade é que não sei se aquela figura que tenta que tudo seja harmonioso lá por casa, que foge de discussões, que se faz de parva mais do que alguma vez será e faz tudo aquilo que muitas vezes ninguém valoriza, não evoluiu para uma versão 2.0, com outras características para fazer frente aos muitos Archies Bunkers que ainda existem, mas com penteados mais modernos e telemóveis de última geração.

Ou então sou eu, que a nível de dinâmicas sociais sou um cabeça de abóbora.


8 comentários:

  1. Verdade. Olho por vezes para a minha mãe e percebo nela a vontade de ignorar muitas coisas, de se calar ou fazer de parva em relação a assuntos que ela domina, ou que facilmente podia contradizer... não se dá a esse trabalho, segue calmamente, e assobia distraída para o lado. Questiono-me tantas vezes porquê?

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  2. Porque não maior parte das vezes não vale a pena e o curso dos acontecimentos encarrega-se de resolver o assunto. Ouvi dizer, porque já eu não tenho essa paciência...

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  3. A Edith ensinou a muita senhora. que a subserviência , a resignação , a paciência , são armas indispensáveis para levar a água ao seu moinho. Não tens que te preocupar, só ter saber e paciência. No fim, todas as ideias espectaculares são DELES, mas you did it your way.... :)

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  4. é a cola que segura muitos lares.

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  5. o que me ria com o archie! e sim pouco vale a pena o desgaste. mas a paciência dela com ele era olímpica. e que nostalgia dá lembrar o agora escolha :-)
    brutal a foto.

    Sofia

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  6. Estive para falar hoje disto no blog. O Archie é o motivo porque escolhi Archibaldo para o meu pseudónimo no fb. Era tudo isso que dizes. Mas também ninguém se sentava no sofá dele. Abraço

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  7. Esta e o "Green Acres" também fizeram parte das minhas maratonas televisivas :)

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  8. Eu fui mais da fase da sic gold e da rtp memória. Mas trazem-me excelentes memórias... eu e o meu pai devorávamos esta série e a ALLO ALLO juntos.
    Bons tempos que já não voltam :(

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