9.5.13

Vidas de partir o coco a rir



Imagino que ter uma ilha possa ter divertido, muito para além do sentido filosófico de "cada homem é uma ilha". Falo mesmo de uma cena com palmeiras, areias convidativas e mares, onde para além de um ocasional tubarão (com os quais não será conveniente arranjar uma relação que possa chocar a nossa noiva), possamos tomar uma banhoca e comer fruta tropical não importada.

Imagino até que o facto de ter uma ilha, sem que seja por termos sido abandonados lá ou por descendermos de uma simpática família de canibais, seja bom para fazermos amigos. Amigos que, pelo facto de termos uma ilha, nos acham imensa piada e, apesar das suas vidas preenchidas, arranjam sempre tempo para ir ter connosco e, quando menos esperamos, partilharmos mais um momento de partir o coco a rir.

Imagino tudo isso. Mas depois também imagino o que seria imaginar isto a caminho da fábrica de chuteiras em que trabalho e, visto que hoje é o meu 7º aniversário, esperar receber uns atacadores de prenda (nem que seja para o almoço) e sair mais cedo, tipo às dez da noite. 
E depois fico contente pelo facto da minha balança mental ter tamanha amplitude (ou até mesmo desequilíbrio, se formos mais precisos). E custa-me menos o facto de não ter uma ilha, nem que seja por ter imensos atacadores lá em casa e não ter que os comer.

Enfim, resumindo, não há nada de mal em invejar a vidinha de certos figu(cab)rões, seja aqui ou no Bangladesh. A diferença faz-se no estilo com que se inveja.

Sem comentários:

Enviar um comentário

Se vais dizer alguma coisa, escreve, não fiques para aí a olhar.