16.5.13

Um urinol não devia ser o tema do dia


Ao contrário de mim, a actualidade é rica. Tem temas infinitos, tem dramas e, também ao contrário de mim, não é limitada. É por isso que, em vez de vir aqui fazer uma análise ao que se passou ontem em Amesterdão, questionar a agenda da N.Senhora ou discernir sobre o Di Caprio a fazer de Grande Gatsby, a minha escolha incide num urinol.

Sossegue quem viu o post anterior e ache que agora ando a sofrer de snobismo artístico e depois do tio Casimiro, agora venho com a história do avô Duchamp.

Este é um urinol simples, um urinol amigo e, acima de tudo um urinol com que se pode contar. Ou melhor, com que se poDIA contar.
Voltando um pouco atrás, fruto da sua anatomia, o homem há muito que passou a ter com o urinol uma relação próxima, embora não próxima demais, pois nunca se sabe quem lá passou antes. Neste caso específico, este urinol é um urinol comum de um edifício moderno, partilhado por mais do que uma empresa que trabalha no mesmo piso. Nele, para além da sua função básica, foram partilhados muitas piadas de WC, muito humor macho de trazer por casa e alguns momentos de desconforto latente, como só dois gajos lado a lado a urinar sem mais que um pedaço de loiça sanitária a separá-los podem partilhar.

Ainda assim, era o meu urinol de referência, um companheiro em momentos de aflição. Só que adoeceu, deixou-se infiltrar e, em vez de cheirar a urinol urbano e perfumado, começou a cheirar a urinol badalhoco de festival. Começaram as queixas e, paradoxalmente, muitos foram os que se começaram a cagar para este urinol, começando por aqueles que deviam cuidar dele.



Como se pode ver, bateram-lhe, deixaram-no de rastos, mas não o levaram ao lugar. Disseram que iriam à base do problema, mas nada mudou. Tirando a vida do urinol que, para além de não poder voltar a fazer aquilo para que nasceu, ainda por cima tem uma baia a separá-lo dos que tantas vezes com ele conviveram.

E o pior de tudo, sem solução à vista duas semanas depois, é que nem uma legenda artística do género “A queda das necessidades humanas – Artista desconhecido” lhe puseram. É que um urinol hipster podia não servir para nada, mas pelo menos tinha um propósito na vida - dar um sorriso a tipos à rasquinha.


2 comentários:

  1. E se levares o urinol para casa? Limpá-lo. Restaurá-lo. Mostrar-lhe a nova temporada do Arrested Development.

    Com o tempo, ele talvez possa voltar a ser o urinol que era. O administrador de condomínio vai tentar impedir-te. Vai dizer aos seguranças para não te deixarem sair. Mas eles vão olhar para ti e perceber que entre ti e o teu urinol ninguém se vai meter. Os teus colegas vão levantar-se e aplaudir. Todo o edifício vai levantar-se e aplaudir. Here I Go Again dos Whitesnake a tocar nos altifalantes. Um homem não pode abandonar o seu urinol.

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  2. Eu tenho para mim que o urinol voltará a ser o que era. Digo eu que, claramente, não percebo nada de urinóis.

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