29.5.13

O problema de ter um blog rubricofóbico


Não existe problema nenhum, mas as pessoas são sempre mais sensíveis perante problemas em relação a devaneios.

O facto é que, estrategicamente, é uma jogada inteligente para um blog criar rubricas, são um bocadinho como as estantes que se compram no IKEA só porque sim e porque tudo faz mais sentido quando está direitinho em compartimentos. Previne-se assim a falta de tempo, estimula-se o leitor para determinados temas e, quando a imaginação não colabora, a lógica e a organização salvam o dia.

Infelizmente, em termos de escrita, sinto que sofro de rubricofobia aguda porque tenho imensas dificuldades em sustentar a ideia de posts que obedecem a temáticas e não à minha verdade suprema. Se isto fosse um blog de bola, teria que me definir como o “jogador-vagabundo” que, mais do que uma constatação sobre o seu nível de higiene pessoal, tem que ver com o seu desprendimento táctico, que não o obrigar a fixar-se demasiado em certas posições.

Contudo, observando tendências e lidando com experimentação social, quero fazer como já fiz com o whisky e dar-lhe mais uma oportunidade. A questão é esta:

Que tipo de rubrica pode vingar neste espaço?

- Duetos virais – rubrica em que, semanalmente, acompanho um vídeo com potencial viral e sugiro um vírus que gostava de ver a espalhar-se pelo mundo (ex: um vírus que faça com que as pessoas, sempre que se queixam do tempo, tenham que ter dois dedos enfiados no nariz)

- Instagram retardado – rubrica em que eu publico fotos de coisas com atraso, mas em que não se percebe se é um factor temporal ou mental.

- Frigo-contos – Todas semanas abro o frigorífico, vejo o que lá tenho e invento uma história com cem palavras e três ingredientes. Meto a história no frigorífico. Esqueço-me da relevância que isso tinha para o blog.

- Fofoquices animais – Lá em casa há bicharada e os animais também falam. Os meus falam de cenas que se passam quando eu não estou em casa. Eu falo com animais. A medicação está cara.

- Se eu fosse uma médium mamalhuda – sempre me fascinou o fenómeno mediúnico e, pelo que vejo em séries de televisão, os mortos comunicam melhor com senhoras de certos atributos. Numa rubrica semanal, um morto conhecido dita-me um provérbio como se eu fosse uma dessas senhoras.

- O cinema é só fitas – Com base num remix de Ibiza feito com o excelente inglês do Mário Augusto, desvirtuo qualquer filme, pervertendo as histórias, mesmo que não saiba muito bem o que isso quer dizer.


O pior que pode acontecer é, tal como ao whisky, ficar na prateleira para sempre. E, para isso, tenho umas estantes do IKEA mesmo boas lá em casa e que até têm nome de gente para eu poder falar com elas.

11 comentários:

  1. Hahaha, adorei as tuas rubricas e a definição rubricofóbica é genial. Olha, o meu é rubricofóbico, mas faço ao contrário, escrevo e depois encaixo um dos títulos, se não há título já criado para aquilo, vai um lailailai :D

    Acima de tudo, dá-me jeito, porque sou uma nódoa a criar títulos, coisa para me deixar horas a olhar para o texto e a pensar que título, credo, que título dou eu a isto, assim é canja.

    Não aconselho, é assim um esparramar da minha falta de criatividade, mas olha que as tuas rubricas têm muito potencial, têm, têm.

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    1. Perfeitamente legítima essa estratégia. A maior parte dos posts que faço também são "lai lai lai", só que eu disfarço isso com carradas de texto e alucinações diversas ;)

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  2. Voto no "se eu fosse uma médium mamalhuda". Primeiro porque é um segmento de mercado que, em Portugal, não foi ainda tomado por ninguém (não por falta de mamalhudas à altura, mas por falta de visão de negócio, creio eu). E, depois, porque sempre quis saber o que é que se passa do outro lado e, portanto, esta rúbrica dá-me alguma esperança...

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    1. Sou um observador nato (com um campo visual abrangente, que permita enquadrar senhoras de fartos peitos e segmentos de mercado que mereçam ser explorados, sem perder o rumo).

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  3. Vejo aqui potencial para abrirmos uma empresa de aconselhamento rubricofóbico para bloggers.

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    1. Capital social é coisa que não falta meu caro...

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    2. Tenho outra empresa para abrirmos: uma empresa para fechar empresas. No momento, acho que vai dar bastante dinheiro.

      E qualquer coisa que corra mal com a empresa de aconselhamento rubricofóbico para bloggers, temos sempre a empresa que fecha empresas para facturar com isso.

      Pensa nisto por favor.

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  4. Numa palavra: Bushmills. Já o grande Vinicius de Morais tinha reflectido sobre o assunto apenas para concluir que o whiskey é o melhor amigo do homem. "É cachorro engarrafado". Uns séculos antes estar merda teria ganho o estatuto de evangelho.

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    1. Não consigo, em termos de bebidas, para mim o whisky será sempre um proscrito referenciado, um fora da lei respeitado do qual queremos sempre manter uma certa distância.

      Quanto ao Vinicius, sempre soube muito e escreveu ainda mais.

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  5. Voto no Cinema é só fitas, porque afinal, as rubricas nos blogs são só fitas....

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  6. o probelam de muitos blogs rubicofobricos é como algumas prateleiras lá de casa: entre livros e biblôs é só pó

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