6.5.13

O pequeno agente de viagens que vive dentro de cada um de nós


Antigamente, para qualquer tipo de viagem que nos levasse para além de Elvas, Vilar Formoso ou para o lado do mar sem ser num cacilheiro, falar-se em “agência de viagens” era algo perfeitamente natural. Lembro-me de ser miúdo e, ocasionalmente, ver lá em casa folhetos e revistas desse tipo de agências com muita foto apetecível, tanto de destinos, como de simpáticas moças em vestes reduzidas a tomar banhos de sol.

Mas isso era antigamente.

Hoje em dia, tirando para destinos mais fora (e mesmo aí há sempre quem se aventure), qualquer pessoa com um computador é o seu próprio agente de viagens. Pesquisa viagens em conta, escolhe sítios para ficar, elabora roteiros, faz avaliações, partilha fotos e dá opiniões.

E isso é bom. Pelos menos, dentro de um patamar de normalidade.
É bom porque se poupa dinheiro, porque se personalizam as coisas e porque temos uma maior noção de controlo, ao invés de pura e simplesmente deixar tudo nas mãos de outros.

O problema começa quando o pequeno agente de viagens que actualmente vive dentro de cada um, viajante experimentado, profissional diligente e guia de renome se torna demasiado controlador. Se lhe pedes uma dica, ele dá-te10 páginas, recomendações e censura alguma das escolhas prévias que possas ter feito. Se ouve alguém dar-te uma sugestão para jantar numa qualquer capital europeia, rapidamente começa a acenar que não com a cabeça e a citar algumas críticas menos favoráveis de tal local, avançando com várias alternativas mais bem cotadas. E se, quando regressas, não respondes correctamente ao seu inquérito e admites não ter seguido algumas das suas recomendações, espera-te um ar indignado, uma expressão de enfado e o desabafo “Enfim, não sei para que me dou ao trabalho”.

Toda a gente corre o risco de ter o chamado “amigo agência Abreu”. Para evitar males maiores, cabe a cada um de nós invocar o pequeno trolha que também vive dentro de cada um de nós e cortar-lhe as asas antes que ele tome conta das nossas férias. É que, para me meter em trips dessas, mais vale comprar uns ácidos.

3 comentários:

  1. De facto. Devia haver um tripadvisor para classificar "trip advisors".

    "Não peças conselhos a esse tipo, diz aqui que é prestável mas gosta de fazer considerações sobre o dinheiro que tencionas gastar"."

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  2. Há sempre alguém disposto a dar conselhos sem nunca lhe ter sido pedido nada.

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  3. Muito boa a publicação. Aproveito para deixar o nosso blog também para vocês acessarem http://www.consultordeviagens.net/

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