26.5.13

O Gatsby de média estatura




Não vou falar de bola, deixo isso para os que sofrem e para os que gostam de fazer sofrer. Contudo, ao falar em fazer sofrer, tenho de referir que o Gatsby do Baz Luhrmann veio ter comigo. Não era um Gatsby igual ao que tinha conhecido em livro, nem sequer era um que já tinha visto vestido de Robert Redford. Era outra coisa que, para mim, se assemelhou um bocado a encher um bolo óptimo com uma cobertura de excelente aspecto, vistosa e deslumbrante, mas que não acrescenta valor, antes pelo contrário.

O Baz é um rapaz com uma estética visual muito forte e é fã de reinterpretações que, quando correm bem, são coisas muito interessantes. O problema é que, quando não correm (o Austrália ia-me custando uma lobotomia), fico com a ideia que assisti a um videoclip gigantesco em que tudo era meio plástico e pouco profundo. Não pondo em causa o exagero de contrastes e uma banda sonora que é curiosamente provocadora, fiquei sempre à espera que o Gatsby se tornasse grande e ainda bem que fiquei à espera sentado.

Obviamente que vai haver quem goste e saia de lá maravilhado, infelizmente não fui eu. Fiquei à espera da grandeza da história e, tal como o ar constantemente amíopado do Tobey Maguire, não a vi, nem sequer com óculos 3D (??).

E, garanto-vos, se tivesse ouvido “Old sport” uma vez mais, ia haver sangue.

 

10 comentários:

  1. Tenho sempre amargores de boca , quando vejo um filme, sobre um livro que já li. Fico parecida (não fisicamente, claro) com a do "Ambrósio, apetece-me algo..." Há qulaquer coisinha em falta por ali... Sabes, as poucas excepções foram " A insustentável leveza do Ser" e "A Casa dos Espíritos" ...

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    1. Já vi de tudo, bom, surpreendente, mau, surpreendentemente bom, surpreendentemente mau. Sinceramente, depende também das expectativas que se geram quando chegas primeiro ao livro e depois ao filme e vice-versa.

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  2. Também não me arrebatou! Esperava muito, muito mais! :(

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    1. É um bocadinho por aí, embora neste caso em particular já não fosse com uma expectativa assim tão elevada.

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  3. Não li o livro mas o filme maravilhou-me.
    Quem esperava algo deste filme que não incluisse "estética visual muito forte" ou algo que lembrasse um "videoclip gigantesco" parece-me não andar com atenção aos trabalhos do Lurhmann, nao ?
    O que me fascinou neste trabalho, tal como em outros filmes dele, é que embora todo o exagero, toda a extravagancia, os filmes conseguem emocionar. A história tocou-me muito efoi dos melhores filmes quevi nos ultimos meses.
    Ainda pretendo ler o livro mas sei que não será uma leitura igual à que teria resultado se visse o filme posteriormente.

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  4. Ainda não li o livro mas o filme maravilhou-me. Pretendo lê-lo mas sei que a leitura que daí resultar não será de todo igual à que resultaria se tivesse guardado a viasualização do filme para acto posterior, mas não me consegui controlar.
    Quanto ao que li aqui sobre o filme, respeitanto opiniões, acho que quem vai ver um filme de Baz Lurhmann e não estiver à espera de estéticas visuais fortes ou de ficar com a ideia de um videoclip gigantesco não anda suficientemente atento. O que maravilha neste trabalho, tal como noutros dele, è que apesar de todo o exagero e extravagância os filmes emocionam e muito talvez pelo argumento original mas também certamente pelo bom trabalho de realização.
    Gostei muito.




    Curiosamente os outdoors são uma das imagens de marca deste realizador (estão presentes no Romeo e Julieta e The Moulin Rouge) e fico contente por abrir este blog pela 3ª ou 4ª vez na minha vida, ler sobre um filme que tanto gostei e de ver esta imagem aqui exposta, imagem esta que me fez exclamar um AH quando apareceu no escrã por me recordar instantaneamente dos outros dois filmes.

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    1. Deixei os dois comentários, por serem complementares :)

      Partindo daí, eis o que posso dizer:

      Aceito perfeitamente que haja quem adore o filme e o impacto do mesmo. Aliás, ainda outro dia discutia num outro blog que, em questões de cinema, não há só uma verdade quando se aprecia um filme. Também disse que quando gostamos muito de um realizador tendemos a desculpar resultados menos conseguidos.

      Já vi os filmes todos do Baz (confessando que o Strictly Ballroom vi no intervalo de outra coisa qualquer) e reconheço a estética e a sua forma "exagerada" de interpretar as coisas. Aliás, referi isso mesmo no post, reforçando que há casos em que a coisa pode não correr bem. Eu não sou fã de musicais, mas papo bem o Moulin Rouge à conta da estética e da forma de contar a história (embora não seja um filme que envelheça tão bem como eu esperava).

      O Australia, para mim, é bastante mauzinho e o Gatsby não está nesse patamar. O meu problema com ele, não tem tanto que ver com a estética por si só, nem com a produção - mas mais com a forma como a história é contada. Quando falei em videoclip (e há videoclips fabulosos) foi no facto em que a história aí contada serve apenas para ilustrar a música e, um filme para mim fica ligeiramente redutor, quando a história sai muito penalizada em função da estética. Neste caso, o Gatsby nunca me vendeu a sua grandeza enquanto personagem (e, a par dele, outros personagens) para além do que nos enche o olho e, nesse aspecto, o tio Luhrmann sabe sempre o que faz.

      Mas, uma vez mais, a minha opinião está longe de ser uma verdade absoluta (apesar de, por norma, ser espectacular) ;)

      E sim, gosto muito de pormenores e elementos (como o outdoor) que muitas vezes se tornam simbólicos para certos filmes.

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    2. Nota: Acho o Gatsby melhor que o Australia, que se note, caso não tenha sido explícito. No Australia eu pensei que o filme tinha acabado a meio e, aliviado, preparava-me para sair, quando percebi que ainda ia levar com mais uma hora...

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    3. O segundo comentário foi um erro de cálculo que me levou a pensar que o mesmo não te tinha sido enviado.

      Penso que o meu comentário não foi suficientemente esclaracedor, mas longe de mim não aceitar as opiniões contrárias à minha relativamente a este filme (se estivemos a falar de um Tarantino aí o caso mudaria de figura e eu teria razão no matter what).

      Quanto ao Austrália já o vi e não tenho uma única recordação do mesmo que vá para além da Nicole Kidnam, o que me leva quase a apostar que não lhe liguei nenhuma mas sou o tipo de pessoa que se esquece dos filmes com uma rapidez que chega a roçar o absurdo. Ficou claro que achaste o Gatsby melhor que o Austrália.

      Sou fã do Moulin Rouge mas confesso que também achei que envelhecesse melhor.

      Não sou apaixonada pelo Lurhmann, é verdade que adorei o Romeu, o Moulin Rouge e agora o Gatsby mas não sou fã incondicional, mas a realidade é que para além da ostentação excessiva, do exagero de cor, do exagero de pormenores visuais me consegui concentrar na história em si, o que repito mais uma vez não me era conhecida e para mim foi todo um mundo novo.

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  5. Quero muito ver o filme. Adoro o estilo do Baz e os filmes dele deixa-me sempre a sonhar mais um bocadinho.

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