7.5.13

Faz-me um Bosch





Sim, este título é uma espécie de reedição de um dos trocadilhos pueris mais utilizados entre mecenas flamengos do século XV e XVI. Mas há que reconhecer, pelo meio da sua imaginação tortuosa, o tio Hieronymus, El Bosco para a malta vizinha era um gajo muito à frente para o seu tempo.

E eu, que não sou muito dado ao imaginário tétrico, nem sou um fã confesso da Morte, Satanás e cenas do género alone in the dark (embora já tenha ouvido Slayer, Cannibal Corpses e outros tipos de metais pesados), vejo-me a olhar para obras do dito cujo com admiração por alguém que se distingue em muitas coisas dos padrões da época e a pensar “Ou eras um personagem de primeira ou não devias ter muitos amigos meu grande doidivanas”.

No Museu de Arte Antiga temos a sorte de poder ver uma das obras mais representativas do senhor e agora, no Prado, tive a oportunidade de ver ao vivo outras tantas. Ah e tal, delícias terrestres e por aí, mas fiquei fisgado nesta mesinha com os sete pecados capitais lá representados. É um sonho pensar em receber alguém lá em casa e dizer “A senhora, que é mais gorda, pode sentar-se ali junto à Gula e tu, meu invejoso de primeira, vejo que já estás sentado no sítio certo. Quanto a ti, deixa lá ver se isso é mesmo luxúria ou se é só uma garrafa de tinto a falar por ti”.

4 comentários:

  1. O tio Hieronymus é um castiço. Eu gostava muito de ter na minha sala um demóniozinho verde a grelhar frades em carvão. Acho que até a comida me sabia melhor.

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  2. Bosch é bom! Depois de ver com os meus olhos o Jardins das Delícias, soltei um lágrima e pensei: já posso morrer.

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  3. Título a manter as elevadas expectativas!

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  4. Isto dos títulos é a única forma de enganar de forma consistente o visitante que, desprovido de bom senso, ainda vá caindo no erro :)

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