21.5.13

Das tribos da escola às tribos do trabalho

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A propósito do que o Sôr Factos disse na sua simpática referência à minha pessoa no âmbito deste post, estive a pensar e reparei numa espécie de coerência no meu percurso e que tem a ver com as tribos a que vamos pertencendo à medida que crescemos.



Por norma, as coisas começam escola, sem o lado mais bacoco do high school americano, quando nos “juntamos” naturalmente a tribos que têm a ver com os nossos gostos e os nossos interesses, muitas vezes involuntariamente. Mais tarde, a coisa continua na vida adulta, as tribos são outras mas, muitas vezes sem darmos por isso, vamos lá parar.



Sem ser algo consciente, reparei que sempre fui um gajo inter-tribos, uma espécie de joker (sim, com direito a toque de palhaço), que se adapta bem a grupos diferentes. Na escola, por um lado tinha notas porreiras (nerd side), por outro tinha um registo disciplinar duvidoso (rebelde side). Jogava os torneios todos inter-turmas e passava o tempo a jogar basket (jock side), mas adorava jogar jogos de tabuleiro e cenas tipo Trivial Pursuit (geek side). Dava-me com os dreads do hip hop, mas não dizia que não à malta do grunge e era presença regular nos concertos dos Irmãos Catita. E, com uma agenda tão preenchida, ainda era obrigatório reservar alguns slots para o público feminino.



Isto é só um exemplo, até porque a personalidade de uma pessoa não é apenas a colecção de grupos a que pertence, no entanto, olhei para a minha “rede” aqui na firma e dei pelo seguinte: tanto vou almoçar com o paquete e com o motorista, como vou jogar à bola com o director financeiro ou a um jantar com pessoas que fazem vencimentos comuns parecerem gorjetas. Tanto troco impressões sobre livros com a jovem da recepção que tem para aí menos dez anos do que eu, como debato desportos americanos com um tipo que tem para aí mais dez anos que eu. Vou descobrir rissóis de leitão num tasco com um gajo da produção, noutro dia vou à Costa almoçar com um cromo do design que vai surfar pelo meio. Troco piadas com estagiários e pré-sexagenários, sem discriminar e todas elas, más - como eu gosto.



Feitas as contas, não sei bem que tribo é a minha. Serei um troca-tintas social? Uma Maria-dá-se-com-todos-com-barba? Não sei, mas vou continuar apostado nisso.


Nota: E, por defeito, aquilo que faço profissionalmente coloca-me desde logo numa tribo da qual é preciso batalhar um pouco para tirar o rótulo.

3 comentários:

  1. Respostas
    1. Espero que seja por aí, até porque um gajo é sempre o que é e nem sempre o que diz ser :)

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  2. Estou contigo nisso.
    Não é a toa que a "assinatura" do Factos é: Porque nem tudo é o que parece.

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