17.5.13

Da Idade do Fogo à Era do Brunch


Parece que foi ontem, mas já passaram uns valentes milhares de anos, desde que os primeiros homens usaram casacos de peles para ir às compras. Aliás, nessa altura impressionar miúdas era por um lado bastante fácil, bastando por exemplo bater duas pedras e fazer faísca, mas por outro lado era bastante perigoso, pois facilmente um tipo podia ser comido por um tigre dentes de sabre enquanto tentava ir caçar para um jantar a dois.

Creio que uma das grandes falhas dessa época em termos sociais (não vou falar nos processos de cortejamento, que eram tão elaborados como...bater duas pedras e fazer faísca) estava directamente relacionada com o facto de não existir o conceito de brunch. Em termos de convívio com amigos e amigas, imagino o sucesso que um qualquer homem primitivo podia ter feito se, livre das limitações da sua redutora caixa craniana, soubesse daquele sítio ideal em que uma boa dose de carnes frias e bagas, dispostas em folhas de plantas não venenosas, junto a um qualquer curso de água potável fizesse as delícias de qualquer um. Um bom sítio para estacionar o mamute por perto, o preço de duas pedras de sílex afiadas e uma pele de castor, extremamente acessível, e erva seca disponível, quer para ajudar a fazer fogo, quer para fazer de caminha, caso os convivas desejassem algum extra.

Hoje em dia já não há tigres dentes de sabre, mas os brunchs compensam um pouco essa falta de emoção. Combinam o toque requintado que nos faz parecer tipos com algum critério e joie de vivre, com aquele conceito mais básico e alarve de “Epá, aquilo não é um almoço de dobrada, mas podemos comer até cair para o lado”. Do ponto de vista social, continuam a ser ocasiões interessantes para conversar e fingir que prestamos atenção, enquanto fisgamos aquela mini-quiche e aqueles croissants de massa folhada, embora o seu conceito ligeiramente trendy gere o oportunismo do chamado brunch mitra, em que um estabelecimento utiliza o termo para se posicionar como in e depois serve pouco mais que um pequeno almoço glorificado.

Como vos tenho em boa conta, uma espécie de leitores das cavernas mas com gostos trendy, aceito sugestões de sítios com brunch a sério. Faz tempo que não vou a um vestido apenas com o meu casaco de peles.

5 comentários:

  1. Brunch é tipo um mata-bicho finecas? Não, não conheço nenhum sítio.

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    1. Também há o brunch da tasca, mas esse é só para campeões. E nessa categoria também os conheço.

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  2. O brunch aborrece-me. Nem é carne, nem é peixe. Nem pequeno-almoço, nem almoço.
    Acho que é a classe-mediana que habita em mim a falar mais alto: só terás 4 refeições diárias e não prevaricarás.

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    1. Mas sabes que em muita da classe média, pressionada por horários, sono e outras pressões, o pequeno almoço muitas vezes leva porradinha da boa e é maltratado ao ponto de ser suprimido ou, quase tão mau, ser tomado a caminho de qualquer coisa em movimento.

      O brunch, é o pequeno almoço dos ricos e um almoço de classe média que gosta de palavras como gourmet, vintage e afins.

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  3. Gostava muito de poder ajudar com uma sugestão mesmo trendy, mas nos dias em que não trabalho nunca acordo a horas do brunch... Quando muito à hora do lanche... Mas se calhar não serve.

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