9.5.13

Como lidar com velhos amigos de Jesus, Jeová e derivados


Em tempos de crise, é natural que as pessoas se voltem para a religião. Com os avanços da medicina, é natural que os velhotes durem mais. Com a conjunção das duas premissas anteriores, é natural que a fé se junte aos velhotes para nos apanharem desprevenidos ao virar de qualquer esquina.

Se não tens paciência, tempo ou serves Satã, eis valiosas dicas/técnicas de guerrilha verbal que te podem safar dessa tribo:

a) Por norma, o devoto religioso é fácil de detectar. Jeovás e afins nunca andam sozinhos, os velhos estão sempre vestidos demasiado formais. Os novos (usados em parelhas jovem-idoso) vestem-se como velhos. Todos têm pastas, malas ou revistas na mão e garanto-te que não são a Burda nem a Nova Gente. Os Elders vestem-se como motoristas da Carris, mas não são portugueses e também têm sempre mochila/pasta.

b) As seitas são uma categoria à parte. Muito fortes a jogar em casa, optam quase sempre pelo sistema de conversão via folheto milagroso (alguns milagrosamente hilariantes) ou convocatória para nos apanharem lá no templo. Não pondo lá os pés, estamos safos.

c) Nunca dobrem esquinas nem se metam em acessos de pouca visibilidade em vias públicas. Os devotos religosos são como os cocós de cães, metem-se debaixo dos pés quando menos esperamos. 

d) Tanto Testemunhas como Élders são, traço geral, educados. O que constitui uma óptima oportunidade para os desarmar, se formos rudes a roçar o mal educado. Se eles quiserem jogar nesse campo, imaginem os pontos de bónus que os estão a fazer perder.

 e) A formação de devotos não deve ter módulos dedicados ao humor, por isso é raro que algum deles o tenha. Usa essa arma a teu favor: “Queremos dar-lhe a conhecer a palavra de Deus...” / “Deixe estar que eu vou agora ter com Ele e Ele depois diz-me"

f) Eles são old school, por isso faz uso das novas tecnologias, nem que seja de forma infame, fingindo atender o telemóvel.

g) O paradoxo da ubiquidade. Se tens tempo para filosofar, questiona o devoto “Se Deus está em todo lado, isso significa que se você ficar aqui e eu for andando, eu continuo a ter as mesmas hipóteses de ele chegar até mim, certo?”

h) O ângulo “Dar um tempo” – Quando o devoto quiser passar a palavra da divindade, o truque é dizer “Olhe, eu e ele estamos chateados e não nos falamos há algum tempo. Portanto, em vez de mandar outras pessoas falar comigo diga-lhe que, se quer resolver isto, venha falar comigo em pessoa.

i) Dividir para reinar – Resulta sempre dizer-lhes que já aceitaram uma proposta de outra religião e que, nesta fase do processo, não vos fica bem estarem a ouvir outros argumentos de conversão.

j) Cantem a “Macarena”. É nonsense, mas a loucura não se enquadra nos planos de Deus.

Em caso de dúvidas adicionais ou situações anómalas estou ao vosso dispor. É esse o fardo que os deuses puseram nos meus braços para vos alimentar.

4 comentários:

  1. O que me ri! Esses truques parecem-me de facto muito bons, já usei qualquer coisa como "Ele que venha então falar comigo".Ficam automaticamente sem resposta!

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  2. Uma vez caí no erro de filosofar e perdi uma hora da minha vida. Agora, quando me apanham na rua, aconselho a tentarem com outros que eu já não tenho solução. Quando a conversão é feita porta a porta, respondo que a patroa não está!

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  3. eu pergunto sempre se passam recibo (pela percela do céu que me tentam impingir as velhotas simpáticas do jardim do Eduardo VII)

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  4. A minha única felicidade é estarmos em Maior e, com a crise, os devotos irem todos a correr (alguns de joelhos) para Fátima.
    Até se respira melhor e, em momento de aborrecimento, sempre podemos dar umas guinadelas na estrada à la Miami Vice, para agitar as coisas.

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