8.4.13

"X-Factor" de urinol


Eram três os que lá estavam, todos eles vestido de igual com o seu fato de macaco cinzento, ferramentas à cintura e uma certa proeminência na zona do ventre que faz pensar que, quando não estão reunidos em urinóis, resolvem os problemas do mundo junto de doses generosas de comida e bebida.

O primeiro que vi estava debruçado junto a um dos cubículos, buscando no sempre filosófico mundo da loiça sanitária a resolução para dilemas profundos. O “Ora F@”%-se...” que soltou em versão lamento deu-me a ideia que as suas preces não estavam a ser atendidas. Os outros dois estavam junto aos urinóis, um deles apoiado no secador e o seu parceiro sentado na borda do lavatório.

Não me agradou o tom de “X-Factor” que pairava naquele WC e, embora tivessem parado momentaneamente a sua conversa, nenhum deles se mexeu um centímetro quando entrei. Fiquei à espera que um deles dissesse “Então, como te chamas, de onde vens e que tipo de mijinha nos vens apresentar? Um clássico à rasquinha, um medley de cascatas?”

Voltei-lhes as costas e saí sem lhes dar o prazer de avaliar a minha performance de urinol. Dirigi-me à casa de banho dos deficientes, não sem que antes me cruzasse com um colega que não resistiu a dizer “Então, és deficiente?”, ao que retorqui “Porquê, não se nota?”

E assim se continua a fazer história com base em pequenos interlúdios matinais.

1 comentário:

  1. passados 2 anos, fico contente de ter cá re_passado...por aqui nunca falta inspiração :)

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