9.4.13

O exercício das desculpas


Acho que o exercício é em quase tudo igual à música clássica, ao cinema francês e ao gaspacho. Se gostamos dele dá-nos muito gozo, se só fingimos que gostamos, podemos passar horrores até admitirmos o contrário. A única coisa que o exercício acrescenta são benefícios à saúde mas, por outro lado, também são mais raras as pessoas que se lesionam a ver filmes franceses ou a ouvir Wagner.

No meu caso, nunca ninguém me obrigou a praticar desporto / fazer exercício e fui sempre eu que senti essa necessidade. Aliás,  ao chegar à idade adulta (fisicamente, que mentalmente isso ainda é um facto contestável) também percebi a crescente importância do desporto enquanto escape. Não é a única coisa que faço nesse sentido, mas é uma parte importante do meu mecanismo de auto-regulação.

No entanto, acho que cada um deve procurar a sua fórmula de equilíbrio e continuo a achar um piadão às pessoas que, perante alguém que pratique desporto, se sentem na necessidade de justificar o exercício que (não) fazem – NINGUÉM É OBRIGADO a fazer exercício, nem a ter que fazer sapateado para tentar mostrar que estão a tentar mudar isso.

Soa sempre a desculpa e não era preciso, por exemplo eu não sou fã de musicais e não tento convencer alguém que goste que já consigo ouvir metade do Moulin Rouge à hora do almoço e que quando saio do trabalho tento sempre cantar meia horinha de Música no Coração.

Se me pudesse armar em gajo que dá conselhos, diria para fazerem o que vos apetecer enquanto podem, porque muito possivelmente já não faltam coisas que vos apetecem fazer e não podem. E se tiverem que cortar nalguma coisa, cortem na leitura de certos blogs. Já se viu que não vão a lado nenhum com isso.

2 comentários:

  1. No tempo em que eu tinha tempo, passava o tempo a ler certos blogs e hoje percebi que voltei a ter vontade de não ir a lado nenhum com isso. Vou mesmo ter de cortar é nos musicais...

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  2. Tenho inveja de quem faz exercício com gosto.

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