15.4.13

E de repente, tudo quanto é figura histórica tem que ter pinta de engatatão


 (O meu nome é Da Vinci e acredito que se pode ser brilhante e depilar o peito, mantendo no entanto alguma virilidade capilar)

A ideia do romance de fundo histórico verídico sempre foi fascinante. Pega-se numa base que as pessoas conhecem, que pode ir de uma figura a um acontecimento ou até uma época e depois derivamos dali para o que nos der na cabeça, salvaguardando sempre com “inspirado em factos reais”. É um bocadinho a história do peru recheado, um tipo conhece o peru, mas por vezes tem medo do que pode encontrar lá dentro quando nos põem o animal à frente na mesa.

Na era dourada da televisão que hoje em dia vivemos, já não basta irmos buscar um Robin Hood ou um Casanova e dar-lhes atributos charmosos. O truque é ir buscar personagens históricos que, por norma, não têm grande tradição na arte do regabofe de três em pipa ou aos quais não se atribui grande nível de aventureirismo e sedução e fazer-lhes um extreme makeover.

Esqueçam lá o sangue e sexo de fórmulas como as do Spartacus, porque o desafio mesmo é pegar num Leonardo da Vinci, que a maior parte das pessoas conhece como um velhinho de barbas e sobre o qual sempre ouvi/li certas insinuações gay e vamos transformá-lo numa espécie de Zezé Camarinha inventor, mas com aquele toque moderno de série para agarrar a malta aos ingredientes básicos do costume.

Isto não é de agora (vide Shakespeare in love, Diogo Morgado a fazer de Salazar f#””%lhão, certamente a base para o seu sexy Jesus), mas a criatividade e as audiências obrigam os argumentos a irem cada vez mais longe. Em certos casos, o resultado é brilhante, na maioria é só mais um pastelão que vai cair no fosso das séries que não chegam a ficar na memória.

Pensem nisso enquanto eu vou ali acabar o meu argumento para uma série sobre Camões, o Chuck Norris do seu tempo e que afinal só nadava com livros nas mãos para poupar nos portes do Correio.


PS – Por falar em fórmulas recorrentes, alguém que tenha visto A Nómada, baseado na nova obra da senhora dos vampiros, dos lobisomens e das lambisgóias com ar de sonsa me pode confirmar que aquilo é exactamente a mesma fórmula, mas com ET´s? (uma relação impossível, porque há um elemento em jogo que separa o casal central mas, o amor irá superar tudo e vencer barreiras que ninguém julgava ser possível derrubar).

5 comentários:

  1. pensei nisso ao ver o episódio de ontem.
    é curioso como até o da vinci era um espadachim incrível e brigão.

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  2. Eu que achava que o DaVinci já tinha nascido velhinho e de barba branca...
    Olha então e o Brad Pitt feito Aquiles no "Troy", ali de cabelo sempre penteado, barba impecavelmente feita e corpanzil inteiro depilado apesar de andar na guerra um par de dias seguidos, hum? O cúmulo.

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  3. Em semi-deuses e mitologia eu já admito tudo, até deuses nórdicos negros, deusas com silicone e filhos da mesma idade das mães.


    Agora, bigodes destes, deixem as invenções para o senhor das barbas...

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  4. Eu adormeci a ver o primeiro episódio desse Davinci. Muita palhaçada, efeitos especiais exagerados com o pássaro mecanico a voar e tal. Que estupidez

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  5. Tinha esperança de poder começar um boob count ao ver a série, mas estou extremamente desiludida.

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