22.4.13

Batam no ceguinho da bola no sítio certo


Não tenho medo de dizer que gosto de futebol, que acompanho de perto resultados e campeonatos, que sei o nome de jogadores e guardo no disco rígido da cabeça, memórias que não me fazem falta nenhuma sobre bola e coisas nessa área. Sou adepto do Belenenses, um adepto daqueles que não tem um segundo clube porque esse ganha mais vezes, mas estou longe de ser um regular no estádio.

Aliás, compreendo perfeitamente o fervor que o futebol desperta, especialmente enquanto modalidade, mas não sou um adepto devoto daqueles que vê a vida com um filtro que leva a que o amor pelo seu clube esteja às vezes um passo acima do que é racional, especialmente em momentos de jogo e no rescaldo dos mesmos.

Consigo lidar com discussões de café, contendas de colegas de trabalho, gajos com gráficos, suporte de vídeo Youtube, historial de derbies desde 1918 e consigo até compreender que no rescaldo se partilhem nas redes sociais momentos de alegria, de tristeza, polémicas e tudo o mais.
Há, no entanto, algo que me enerva solenemente e gostaria de pedir aos seus autores para, delicadamente, passarem os dedos por uma picadora de carne, se não se conseguem conter:

E QUE TAL DEIXAR DE USAR A PORRA DAS REDES SOCIAIS PARA FAZER O RELATO DA BOLA COMO SE O ESPÍRITO DO JORGE PERESTRELO VOS TIVESSE POSSUÍDO E CADA POST EM TEMPO REAL ESTIVESSE A SER OUVIDO.

Se eu quiser ver o jogo, estou a vê-lo, se eu quiser ouvir o jogo, estou a ouvi-lo, se eu quiser até ler o relato em tempo real, há sites que mo permitem. Agora, insights tão importantes como:

“MARCAAAAAAAADOOOOORRRR DO GOLLOOOOOOOO” (é escolher, em tempo real e em reprodução variada)

“INCHAAAAAAAAAAAAAAA / CAAARRREEEEEEEEGAAAAAAAA / JÁÁÁÁÁÁÁÁ ESTÁÁÁ”

“PENALTYYYYYYY / FALTAAAAAAAAAA / EXPULSÃOOOOOOOOOOOOO”

Tudo isto mais não é do que ejaculação precoce de conteúdos. Coisas que mandamos para as redes quando não queremos, fora de sítio e que, se tivéssemos capacidade, deveríamos fazer de outra maneira.

Felizmente, o mesmo não se passa com adeptos potentes do basket, em especial da NBA (nos quais me incluo). Seria algo cansativo teclar em repeat e em caps lock, cada vez que a nossa vedeta favorita marca dois pontos. Mas hei-de experimentar.

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