24.4.13

Activismo de sofá e inconformismo gourmet



Passou-me pelos olhos esta campanha de publicidade feita por uma agência sueca para a UNICEF e, mais do que a execução (filme aqui), chamou-me a atenção o conceito – activismo de sofá é coisa que de pouco ou nada serve.

E nos dias que correm, activismo de sofá e inconformismo gourmet são o prato do dia. Aliás, eu próprio vou provar disso nas próximas linhas, dizendo que sou totalmente a favor do empenho em prol de uma boa causa e que eu próprio me envolvo em algumas, sem querer cair no exagero de querer passar por exemplo de bom samaritanismo.

É fácil fazer um like contra a fome, um post contra a crise, um texto contra a doença x ou mostrar indignação numa foto contra o abandono do animal y. Nos dias de hoje também é fácil ir a manifs e sacar instagrams magníficos com smartphone ou até tablet pós-moderno, não para um dia mostrar aos netos que se esteve lá, mas para mostrar hoje aos 758 amigos de Facebook, Twitter e Pinterest
Não é o mesmo que não fazer nada mas, como disse, é fácil.

Só que, se sabemos tirar partido desta facilidade de participarmos em coisas, de mostrarmos que fomos, que vamos, que somos e que opinamos, porque é que tantas vezes é difícil converter esse apoio e essa manifestação de intenções em algo de mais concreto?

Não sei bem qual será a resposta, mas acho que é possivelmente uma espécie de mutação do provérbio “À mulher de César não lhe basta ser séria, é preciso parecê-lo” que, nos dias de hoje funciona mais como “À mulher de César, para mostrar seriedade e dedicação, basta parecê-lo (nas redes sociais e afins)”.

E sim, eu sei que também há muitos que se sacrificam das mais diversas maneiras para dar um contributo válido. Mas esses já têm o meu respeito, não precisam do meu like.


5 comentários:

  1. É isso, sem tirar nem pôr likes.

    ResponderEliminar
  2. Uma grande campanha "straight to the point"!

    ResponderEliminar
  3. 758 amigos? Vou ali chicotear-me, acabei de descobrir que não tenho amigos. Adeus.

    ResponderEliminar
  4. Mas olha, não querendo ter a certeza, acho que sim!

    ResponderEliminar

Se vais dizer alguma coisa, escreve, não fiques para aí a olhar.