7.3.13

Por entre a calma do caos matinal


Sentados lado a lado na plataforma do Metro ela, perto dos cinquenta, cuidada mas hoje com menos aprumo do que possivelmente desejaria e mais azedume do que conseguia conter, soltou um rugido contrariado:

“Fizeste-me levantar mais cedo não sei para quê...Com esta merda de transportes públicos vou chegar à mesma atrasada ao trabalho”.

Ele, cabelo grisalho, óculos discretos, lendo calmamente o jornal da manhã, responde-lhe com um olhar benevolente de quem, livre do carro e do trânsito, tem agora mais calma e paciência para lidar com engarrafamentos emocionais.

O Metro chega, indiferente aos insultos, e esta história dilui-se pelo meio de outros tantos atrasos e desabafos matinais.

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