Nos dias de hoje, para além dos alertas que surgem
regularmente por email e Facebook sobre gente de quem se desconhece o
paradeiro, há outro tipo de desaparecimentos que me preocupam. Falo-vos de
episódios que começam normalmente com “Olha, é só para te dizer que vamos mudar
de casa e vamos para Balafre das Minas do Bom Sucesso. Mas não te preocupes,
aquilo é a um pulinho de Lisboa (ou outra cidade) e vamos continuar a combinar
coisas na boa”.
E, a partir daí, ver esse amigo/a torna-se uma
coisa tão regular como avistar o Bigfoot, pois amigos comuns juram que o viram
num café no Chiado, outros que almoçaram outro dia com ele ali para os lados do
Marquês, mas a verdade é que a coisa é difícil de confirmar. Quanto mais
estranho o nome da terra e quanto mais próximo ele jurar que é perto de Lisboa,
mais provável é confirmar-se o seu desaparecimento.
Às vezes, tentamos combater esse desaparecimento
da nossa convivência através de uma visita a essa tal terra mágica que, mais do
que um subúrbio convencional, é um portal para outra dimensão imobiliária. Os
croquis que explicam como chegar lá estão por norma cheios de ICs, IPs, kms de
Estradas e referências que começam com Quinta de qualquer coisa ou Restaurante
“O não sei que mais”. Creio que já há workshops para decifrar este tipo de informações.
Depois de algumas voltas e alguns telefonemas
porque a direita afinal era a esquerda e o restaurante já fechou e é uma casa
funerária, chegamos lá. E durante algumas horas tudo parece estar como sempre
foi e aquilo não é um evento místico, mas sim convívio à séria. Mas depois
chega a hora da despedida e não consegues evitar umas lágrimas e um abraço
sentido, porque amanhã a memória de como chegar a Balafre das Minas do Bom
Sucesso, Lote 3, Rua AB não passará de uma vaga noção e, uma vez mais, os
nossos amigos voltam à condição de mito urbano, de tão desaparecidos que andam.

este texto deu-me um nó na garganta. conheço tão bem este sentimento...
ResponderExcluirJá vi acontecer...
ResponderExcluirtriste.
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