27.3.13

A batalha da marmita


Plim, fez o microondas e em toda a copa fez-se silêncio, algo que era raro à hora do almoço. Por entre as fileiras do exército da marmita, das rainhas do gourmet aos mestres do desenrasca, sem esquecer os snipers dos restos, todas as atenções se centraram na zona do microondas.

Por detrás de uns panados com esparguete ainda fumegantes, lá estava ele. Depois de dias, meses e anos a fazer todas as piadas possíveis com marmitas, de almoços regados (dizia ele) com bons vinhos onde a sobremesa era um aliado indispensável e a teoria de que “cantina é coisa de fábrica”, aquele simples e singelo plim anunciava a sua derrota.
Fechou a porta do microondas vagarosamente, suspirando antes de se voltar para enfrentar o olhar do exército. Alguns sorrisos irónicos, um ou outro talher a bater no prato, mas ninguém lhe disse nada.

Sentou-se no meio de uma conversa sobre bebés, que continuam a crescer tão depressa e uma dica para tornar o polvo à lagareiro mais tenrinho.

Mesmo depois de aquecida no microondas, a vingança continua a servir-se fria.

6 comentários:

  1. Pois é meu caro Mak, rendeste-te à marmita, olha que ela ataca sorrateiramente, mas não falha!

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    1. Isso pressupõe que eu seja o protagonista ou até um participante no evento descrito...o que não é necessariamente verdade ;)

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  2. Que texto tão bom e tão realista!
    Isto é um sinal dos tempos...
    No meu trabalho também há microondas e as filas para aquecer o almoço são cada vez maiores!

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  3. Solidário com este momento de dor...

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  4. Não dispenso a marmita desde que comecei a trabalhar. Rentabilizo o tempo, sei exactamente o que estou a comer e como foi confeccionado e, claro, poupo imenso dinheiro.
    Nunca percebi esse estigma contra quem leva almoço de casa. Agora, aqueles que comiam sempre fora, são forçados a tal dada a conjuntura. Ironia das ironias...

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  5. Eu sempre usei a marmita. Chego a dizer algumas vezes que merecia uma plaquinha de primeira utilizadora do espaço no meu trabalho. Mas realmente o que não aguento é o grupo das mães a falar TODOS os dias das crianças. Ando com medo que maternidade destrua a capacidade de discutir outros assuntos.

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