18.2.13

TeleCulinária para espectadores infantis

Longe vão os tempos da televisão com toque de culinária das Sôras Donas Filipa Vacondeus e Maria de Lourdes Modesto e a era onde Carlos Capote era um dos expoentes do típico "cozinheiro" (chef era coisa de francês, estilo Michel) português de barriga proeminente e bigode ou sotaque beirão.

Lembro-me que aqui há alguns anos chegámos a ver cá os Ready, Steady, Cook da vida e em fase de transição para os Jamie Olivers e Gordon Ramsays também havia aquela delícia descontraída da Roça e dos Tachos com toque de São Tomé.

Hoje em dia é a loucura, a culinária é trendy, é sexy e fica bem na televisão. Há chefs portugueses (alguns de qualidade) a brotarem como cogumelos e os programas internacionais de televisão estimulam o bichinho que antigamente era coisa de donas de casa, apesar de em ambientes domésticos sempre terem havido machos com dotes culinários, só que era coisa de efeméride muito possivelmente, muito pouco dada ao entusiasmo diário da cozinha.

Aliás, surpreende-me que, tal como existem as escolinhas de futebol, não comecem a surgir pequenos estabelecimentos de ensino que comecem a produzir mini chefs, uma saída profissional que certamente fará mais sentido do que os carregamentos de advogados, jornalistas e arquitectos (só para mencionar alguns) que continuam a ser servidos em cama de desemprego e salada de exploração.



Mas pronto, agora que já alinhavei aqui umas linhas que até fazem parecer que há um propósito, só queria dizer que o programa do Avillez na Sic Mulher me proporcionou na passada semana um lote de minutos de puro divertimento pueril. Era Carnaval, o senhor estava a fazer mini-hambúrgueres e disse que para acompanhar ia preparar confetis. Alto e para o zapping, que já me despertaste a curiosidade, pois quero saber se os putos vão comer serpentinas ou se ali há truque.

Rapidamente José esclarece que os confetis não são mais do que vegetais cortados fininhos e preparados para servir junto com a carne. Começa a preparar os ditos confetis, cortando beterraba e alertando que a mesma vai tingir o molho e eis quando diz algo como "É muito divertido e a seguir, aproveitando isso, vou pintar o nabo de cor de rosa...".

Ele seguiu como se nada fosse, mas a mente perversa e o excesso de contacto com a linguagem em calão criou na minha cabeça uma imagem mental que a expressão "é divertido e vou pintar o nabo de cor de rosa" me transportou para um universo muito debochado e perigoso para as crianças que tivessem esses confetis pela frente.

Resultado: Três minutos de riso imbecil e um aleluia pelo facto da Sic Mulher disponibilizar estes programas online.

3 comentários:

  1. AHAHAHAHAHAHAHAHAAHAHAHAHAHAAH!!!!

    Não consigo parar de rir


    AHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAH "e agora vou pintar o nabo de cor de rosa"... a sério, quem deixou passar isto... a produção não teve um ataque de riso?

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  2. Que linda imagem ficou na minha cabeça... de hoje em diante, cada vez que puser a vista em cima do Avillez, ele estará com o nabo pintado de cor de rosa... "não custa nada"!

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  3. Essas mentes! ;) eheh.
    Realmente, o que a cozinha evoluiu (?) em meia dúzia de anos..agora é quase praga!

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