21.2.13

As questões do momento – O cheiro a Brise e esquizofrenia de gelados

Saturado de fazer todos os trocadilhos de mau gosto possíveis em relação ao caso Pistorius e a sofrer de um hipsterismo que me impede de comentar temas demasiado mainstream como aPapagões no Vaticano, meteoritos ou Playstation4, vi-me perante um dilema. Poderia falar sobre trivialidades como os Óscares ou abordar assuntos realmente importantes, como o mundo dos ambientadores e da gelataria industrial.

Em relação ao primeiro, agarrem-se bem porque aquilo que tenho para vos dizer poderá abalar-vos – Salvo excepções milenares, não existe um único anúncio bom de ambientadores para casa. Existem os menos maus, os tragicamente maus e os simplesmente ridículos mas, no entanto, não há nem uma brisa de anúncios vagamente interessantes. Podem dizer-me que o produto é difícil, que nos pensos higiénicos é que é uma vergonha e por aí em diante e eu dou-vos muita razão.

Mas depois de ter visto 500 bonecos ridículos a falar de cheiros em casa, situações do quotidiano em que o mau cheiro se mistura com cheiro a humor estragado e dramatizações excessivamente dramáticas, parece-me que se passa sempre ao lado das soluções mais simples.

Veja-se um dos mais recentes exemplos:





 É nitidamente visível que a senhora em causa empenhou todo o seu dinheiro para ter uma casa altamente pós-moderna e não lhe sobrou dinheiro para os interiores. Além disso, se eu não soubesse que o original é possivelmente francês, diria que se esforçaram para que as ouvíssemos sem nunca lhes ver a boca a mexer ao ritmo certo. 

Ainda por cima, convidou uma amiga para ir ver a sua casa nova. A amiga, para comemorar, oferece-lhe um Brise. Faz sentido, não raras vezes hesito entre levar uma garrafa de vinho, uma orelha de porco ou então um ambientador quando sou convidado para coisas do género. Mas atenção, isto não é um Brise ranhoso a dizer que a tua casa nova cheira mal, isto é um objecto de design, daqueles que não se encontra na loja do chinês. A amiga, ao receber o Brise não retribui com um sorriso amarelo, mas sim com uma espécie de orgasmo que a leva a sentar-se com ar deliciado. Mais uma vez, uma dramatização bastante real e que tem plena correspondência à realidade. Ainda outro dia passei pela zona de ambientadores gourmet numa grande superfície e basicamente encontrei um ror de senhoras a esfregarem-se nas prateleiras, tal era o seu desvario.

Mas o que interessa a realidade, se o que queremos é gente a alucinar de alegria com um Brise tão discreto, tão trendy, tão surpreendentemente espantoso? Pelo que vejo, muito pouco.



E agora, o momento cultural do dia: a marca de gelados Olá, caso não saibam, sofre da esquizofrenia de mercado que a leva a sofrer de nomes diferentes em muitos países, mantendo sempre o coração como logótipo. Em Espanha é Frigo, na Grã-Bretanha e mais uns quantos países é Wall’s (denominação original) e no Brasil é Kibon. O que eu não vou dizer aqui é como se chama na Venezuela, para que se possam divertir imenso a procurar – só vos digo, sorte de quem tem um.

5 comentários:

  1. Eu tenho alguns mas são como o Tio Patinhas... forretas!

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  2. aqueles sticks da zara home, um must, e baratuchos, que viras ao contrário e fica novo, ate esgotar o liquido, demora e é bom!
    Bjo

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  3. Mau mau são os gelados com sabor a ambientador!

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  4. Ah, e na Venezuela é a Tio Rico, certo? ;)

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