24.1.13

Ai Cloud Atlas, seu livro depois do filme, porque o filme não foi tão paciente como o livro

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No que à leitura diz respeito, oscilo entre saber aquilo que quero ler de uma forma muito precisa e a descoberta totalmente não programada, seja ao passear pelos corredores de uma livraria, a meio de uma conversa ou, porque não, ao ler um blog.

No caso do Cloud Atlas há já bastante tempo que andava atrás dele, não direi desde 2004 mas a curiosidade já existia mesmo antes de saber que ia virar filme. Por preguiça ou dificuldade em encontrar exemplares por cá, fui adiando a coisa, que podia ter sido resolvido com uma simples encomenda online, visto que ler regularmente em inglês também me faz bem ao espírito.

Essa curiosidade que tinha de ver como resultaria esta narrativa que entrelaça vários enredos, separados no tempo e no espaço, levando-nos a viver várias histórias ao mesmo tempo e tentar perceber de que forma se vão ligar, tornou-se ainda mais forte, ao ver que a estreia do filme se aproximava. Finalmente encomendei o livro, mas não tive tempo de o começar antes do filme estrear e aí optei por só o começar a fazer depois de ir ao cinema.

O meu receio era que uma “história” tão dispersa e fragmentada em capítulos que funcionam como mini-histórias não resultasse nos ecrãs e ver nomes como Tom Hanks, Hugh Grant ou Halle Berry não me traziam mais confiança, porque com nomes grandes, especialmente deste tipo, é fácil secundarizar o valor dos personagens ao reconhecimento do actor. Não é um marinheiro atormentado, é o Tom Hanks a fazer de marinheiro atormentado ou não é um canastrão empresarial, é o Hugh Grant a fazer de canastrão (um papel recorrente) em qualquer época histórica.

Não vou aqui estragar a história a quem queira ver o filme mas, mesmo em três horas, este fica longe de se equiparar à riqueza do livro e eu ainda só vou a meio deste último. O artifício usado para unir as histórias, ainda torna a coisa mais forçada e a montagem falha, porque só podia falhar, a tentar colar cinco ou seis histórias que ficam assim empilhadas à bruta para o espectador aviar. A história flui em jeito pastelão e a tentativa de trabalhar uma moral unificadora a la Hollywood só tira valor ao que de bom se pode tirar do filme. Quando os actores são menos conhecidos a coisa resulta melhor e, dos mais conhecidos, só o Jim Broadbent é que se safa em pleno. O resto são pormenores, tanto bons como maus.

Visto o filme, dediquei-me ao livro, à procura da salvação das minhas expectativas. Até agora tudo faz sentido e as histórias têm o espaço e o cuidado que merecem. A forma como tudo se encaixa segue um ritmo natural e eu quase que já consegui apagar a imagem do Hugh Grant de certos personagens. Da Halle Berry deixei, já que deixa uma impressão visual bem mais simpática. Quando acabar, logo tiro uma conclusão.

Uma nota para a banda sonora instrumental, para quem goste do género – fazjus ao nome e vale a pena ouvir.

7 comentários:

  1. Detestei o filme, e talvez seja eu que sou muito burra, mas não consegui perceber ligação nenhuma entre as histórias, que me pareciam atiradas para ali aleatoriamente - também é verdade que foi depois de umas jolas, o que pode ter contribuido.
    Espero que o livro faça mais sentido.

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    1. Burrice e cerveja não são necessariamente a fonte dessa insatisfação :) Aquilo é muito condensado, muito "amontoado" e o tempo e a riqueza dos ambientes e do detalhe que tens no livro, ali é sempre a aviar.

      Suponho que para quem leu o livro primeiro ainda tenha parecido pior...

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  2. Vou repetir aquele chavão : " O livro é bem melhor que o filme!". Parti para o cinema com as expectativas em baixo, acho que o filme faz o possível para tornar a história inteligível.

    Partindo deste pressuposto, o resultado nuca poderia ser genial. Poderiam ter tentado uma mini-série.

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    1. O filme de facto tenta, mas a própria sobreposição de interpretações em histórias diferentes só contribui para aumentar a confusão do espectador, que tenta ligar as coisas à bruta.

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    1. Ainda não fui ver, o destino e os convites para a antestreia com que estava a contar fintaram-me.

      Mas lá chegaremos.

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