6.1.13

A era dos salões de jogos

Falava esta semana num conferência dedicada ao tema “Gente que consegue mexer as próprias orelhas, tanto as duas como uma só, sem lhes tocar” sobre a quase extinção dos salões de jogos. Pode parecer um tema estranho para semelhante evento, mas quando se estão a inventar coisas nem sempre há tempo para tentar ser coerente.

Quando era miúdo, para além da meca que era a Feira Popular, não faltavam em vários bairros de Lisboa salões de jogos ou na versão mais cool os salões de video-jogos. Tinham por norma uma ou duas mesas de snooker, mesas de matraquilhos, uma ou mais máquinas de flippers e várias máquinas de jogos.

A sua localização tinha por norma um paralelismo com a existência de escolas ou sítios frequentados por malta jovem na área e o seu índice de chungaria aumentava do dia para a noite, embora em certas “casas” por vezes se mantivesse quase sempre numa média elevada.

Numa altura em que as consolas ainda davam os primeiros passos e os computadores ainda cheiravam a Spectrum, não é difícil perceber o apelo de jogos com gráficos de encher o olho que não se encontravam em mais lado nenhum. Além disso, também eram sempre uma justificação interessante para faltar às aulas, afinal de contas quem precisa de Geografia quando tem “Caddillacs & Dinossaurs” a misturarem pancadaria à antiga com mutações genéticas e seres pré-históricos?

Apesar de achar que sempre controlei essa história do vício muito bem, perdi a conta ao número de horas e de moedas que investi nos salões, muito antes das PlayStations e afins lhes cravarem uma estaca no coração. Recordo até um café que tinha jogos na cave em que a minha mãe me apanhou uma vez e que só a muito custo a consegui convencer que eram as tostas do Sr.Isidro que me faziam lá ir.

Ao contrário de brincar na rua, coisa que é raro se ver hoje em dia putos mais pequenos a fazer, é certo que o desaparecimento dos salões de jogos não causa propriamente falhas estruturais na formação da malta. Mas, ainda assim, frases como “Troque-me aí duas chapinhas de 50” ou fazer tilt numa máquina de flippers, num acesso de raiva são coisas que não deixam de deixar um sorriso na cara de quem passou por isso.

E embora possa dizer que o rarear de boas máquinas de flippers não seja algo que o progresso resolveu, aquela fase da história com Trivial Pursuit, Mahjong e outras paciências em máquinas que existiam em certos bares e afins também só serviu para que muita gente se tentasse esquecer da companhia que levou para tais sítios. Hoje em dia sobrevivem apenas algumas salas especializadas em snooker e uns matraquilhos aqui e ali, alguns deles com ar futurista que não lembra ao demónio.


Adenda: Não esquecer também o ícone lisboeta que era Monumental Salão de Jogos, ali entre a Estrela e o Rato, que salvo erro faz agora parte do império de lojas chinesas.


PS – Se alguém tentou mexer as orelhas no início do texto, merece todo o meu respeito.

9 comentários:

  1. ao ler este post só me ocorre uma coisa: pq é q o meu marido não foi convidado para essa convenção. Ele tem ganho prémios na área. Mexe as orelhas (as duas) sem lhes tocar, deixando muitas crianças (e até mesmo adultos) admirados!!! :-DDD

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    1. Vai por mim, mesmo sem convite, essa é uma actividade que não tem o reconhecimento devido...

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    2. Não tenho a menor dúvida! Eu já tentei variadíssimas vezes, sem sucesso. Aguardo agora para ver se tal competência é hereditária e se o pequeno lá de casa sairá ao pai nessa matéria!

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  2. Apanhada: gosto de flippers, baldei-me a muitas aulas para gastar moedas de 50 e 20 paus no jogo e tentei mexer as orelhas...

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    1. Espero que não tenhas tentado mexer as orelhas enquanto jogavas flippers. Perde-se a concentração...

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  3. ainda há uns dias tive vontade de ir a um salão de arcadas jogar qualquer coisa de pancadaria. é uma falha grave.

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    1. Hoje em dia, os poucos que existem estão na sua maioria bem escondidos e praticamente pela hora da morte.

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  4. epah que maravilha de blog e de post. eu comprei agora um star trek tng, da williams. e hei-de ter matrecos.

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